Brasil perde competitividade com tarifas extras dos EUA

EUA concedem isenções tarifárias extras a 13 países, mas deixam o Brasil de fora. Decisão prejudica competitividade brasileira em madeira, pedras preciosas e próteses médicas.

Brasil perde competitividade com tarifas extras dos EUA

O Brasil terá sua competitividade no mercado internacional ainda mais abalada após os Estados Unidos decidirem por tarifas adicionais, mas deixarem o país fora de listas de isenções extras. Enquanto 13 economias foram beneficiadas com exclusões de produtos, o Brasil, juntamente com outros 46 países afetados por investigações de trabalho forçado, conta com uma lista de isenções mais restrita, composta por 2.113 produtos.

## Desvantagem Competitiva em Setores Chave

Países como Argentina, Reino Unido, União Europeia e Malásia receberam isenções adicionais para uma gama maior de produtos. Isso significa que concorrentes brasileiros terão condições mais favoráveis para exportar bens como madeira processada, pedras preciosas, próteses médicas, diamantes, esmeraldas e leveduras para os Estados Unidos. A Argentina, por exemplo, obteve isenções adicionais para diversas categorias de madeira processada, um setor importante para a construção civil americana.

O economista Sergio Vale, da MB Associados, estima que 3,4% da pauta exportadora brasileira tarifada pelos EUA, o equivalente a US$ 470 milhões, sofrerá com essa desvantagem. Welber Barral, sócio do Barral Parente Pinheiro Advogados e ex-secretário de Comércio Exterior, reforça que a Argentina, em particular, ganha uma vantagem horizontal significativa em produtos agroindustriais, insumos naturais e madeira tropical. Para o Reino Unido, as isenções beneficiam produtos médicos e hospitalares, enquanto Malásia e Indonésia competem com o Brasil em produtos florestais e óleos vegetais.

## Estrutura Tarifária Desfavorável

Além das isenções adicionais, o Brasil enfrenta uma estrutura de alíquotas mais elevada. Enquanto outros países se beneficiam de tarifas menores ou zeradas, o Brasil acumula uma tarifa de 12,5% para 60 economias investigadas e, adicionalmente, uma tarifa de 25% que entrou em vigor recentemente. Essa combinação cria uma desvantagem de até 27,5 pontos percentuais em comparação com outros parceiros comerciais. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a existência dessas listas de exceção extras para outras economias reduz a competitividade do exportador brasileiro, que terá mais dificuldade em acessar o mercado americano com custos menores.

A decisão americana de não incluir o Brasil em listas de isenções adicionais, somada às tarifas já impostas, coloca o país em uma posição de desvantagem significativa, impactando diretamente setores-chave da economia e exigindo uma reavaliação das estratégias de exportação brasileiras para o mercado norte-americano.