Brasil negocia com EUA para evitar tarifas de Trump

Brasil e EUA negociam tarifas comerciais propostas por Trump. Governo brasileiro apresenta plano para evitar aumento de impostos sobre exportações antes de 15 de julho.

Brasil negocia com EUA para evitar tarifas de Trump

Equipes técnicas do Brasil e dos Estados Unidos iniciaram uma série de negociações cruciais com o objetivo de reverter a proposta de novas tarifas comerciais impostas pelo governo de Donald Trump. O prazo final para um acordo é 15 de julho, data em que as tarifas podem entrar em vigor.

Em junho, o governo Trump propôs um aumento que pode chegar a 37,5% sobre produtos brasileiros. Essa ofensiva tarifária é composta por uma taxa adicional de 25% e uma sobretaxa de 12,5%. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias, já se reuniu com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, para apresentar um plano de ação.

O Brasil apresentou um "mapa do caminho" com estratégias para tentar evitar as sanções. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva considera o sistema de pagamentos instantâneos PIX um ponto inegociável, mas demonstrou flexibilidade em outras áreas. A proposta brasileira inclui compromissos relacionados a etanol, proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção e ao desmatamento ilegal.

Fontes próximas ao presidente Lula admitem, sob reserva, que uma reversão completa das tarifas é improvável. A avaliação no Palácio do Planalto é que a decisão americana possui fortes motivações políticas, o que limita as expectativas brasileiras a possíveis reduções ou isenções. O governo brasileiro argumenta que as críticas ao PIX e ao Poder Judiciário são questões internas, sem relação com o comércio exterior.

A ameaça tarifária se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA impor tarifas a países cujas políticas comerciais são consideradas restritivas ou prejudiciais ao mercado americano. Washington também alega falhas no combate ao trabalho forçado no Brasil.

Audiências públicas nos EUA estão agendadas para os dias 6 e 7 de julho para debater a proposta. Embora as tarifas possam impactar diversas exportações brasileiras, produtos estratégicos como café, carne, aeronaves e fertilizantes podem ser incluídos em uma lista de exceções.