Brasil é o maior prejudicado por novas tarifas dos EUA, aponta análise
Novas tarifas dos EUA elevam a carga tributária sobre exportações brasileiras, tornando o Brasil o maior prejudicado. Medidas visam combater trabalho forçado, mas geram críticas sobre arbitrariedade.

O Brasil figura como o principal nação impactada pela recente reformulação da política tarifária dos Estados Unidos, conforme análise divulgada pelo Financial Times e reportada por diversos veículos. As novas tarifas, que visam, segundo os EUA, combater o trabalho forçado, impõem sobretaxas adicionais sobre exportações brasileiras, gerando preocupações sobre a competitividade do país no mercado americano.
## Impacto das Novas Tarifas
A publicação britânica destaca que o Brasil já havia sido alvo de tarifas impostas por Donald Trump no início do mês. Agora, uma nova tarifa de 12,5% foi anunciada sobre as exportações brasileiras, somando-se a uma taxa anterior de 25%. Juntas, essas medidas podem elevar a carga tarifária sobre certos produtos do país para até 37,5%. O governo brasileiro reagiu classificando a ação como "arbitrária" e "injustificada", acusando os EUA de "manipular tema caro aos direitos humanos" para justificar as cobranças.
Segundo estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), aproximadamente 23,1% das exportações brasileiras para os EUA estarão sujeitas às novas sobretaxas. Um percentual significativo, 16,5%, será afetado por ambas as tarifas. Produtos como café, carnes, aeronaves e suco de laranja, no entanto, permanecem livres de taxação.
## Vantagem Comparativa Reduzida
A análise do Financial Times, baseada em dados da organização Global Trade Alert, indica que a tarifa efetiva aplicada às exportações brasileiras aos EUA subiu de 11% para 17,7%. Isso coloca o Brasil como o "maior perdedor" entre os parceiros comerciais atingidos, em contraste com países europeus como França, Reino Unido, Alemanha e Espanha, que tiveram suas tarifas efetivas reduzidas. A Europa, em geral, beneficia-se de isenções e da não cumulatividade de tarifas, conferindo-lhe uma vantagem competitiva renovada.
Outros países da América Latina, como Chile e Colômbia, além de China, Vietnã e Indonésia, também viram suas tarifas aumentarem, mas o impacto no Brasil é apontado como o mais severo. As novas tarifas foram impostas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, numa estratégia para conferir maior respaldo jurídico à política tarifária americana, após decisões judiciais desfavoráveis.