Brasil e EUA: Negociações buscam evitar tarifas de 25% em produtos

Entidades do Brasil e EUA pedem negociação para evitar tarifas de 25% em produtos. Decisão americana sai em 15 de julho.

Brasil e EUA: Negociações buscam evitar tarifas de 25% em produtos

Entidades representativas do setor produtivo do Brasil e dos Estados Unidos lançaram um apelo conjunto por uma nova rodada de negociações para evitar a imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) e a U.S. Chamber of Commerce enviaram uma carta aos governos dos dois países nesta quinta-feira (9), pedindo a construção de um acordo de curto prazo para solucionar a disputa comercial.

Os Estados Unidos acusam o Brasil de adotar práticas que, segundo eles, "oneram ou restringem" o comércio bilateral. Como resposta, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sinalizou a possibilidade de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O prazo para a decisão final do governo americano está marcado para 15 de julho.

## Proposta de Acordo Bilateral

As entidades empresariais defendem que uma "solução negociada" é o caminho mais eficaz para preservar a competitividade e evitar prejuízos tanto para empresas quanto para consumidores de ambos os países. A proposta apresentada sugere uma negociação em duas etapas. A primeira fase seria focada em temas considerados mais urgentes, como a ampliação do acesso a mercados para produtos ligados à segurança energética, data centers e infraestrutura de inteligência artificial. Além disso, propõem maior cooperação regulatória em setores como automóveis e equipamentos médicos, aceleração da análise de patentes no Brasil e reforço no combate à pirataria.

A segunda etapa da negociação ampliará a agenda bilateral para incluir temas como economia digital, comércio eletrônico, segurança energética, inovação, cadeias produtivas, descarbonização industrial, agricultura e facilitação do comércio. A prorrogação da moratória da OMC (Organização Mundial do Comércio) sobre a cobrança de tarifas para transmissões eletrônicas e a implementação integral do Protocolo Anticorrupção do ATEC também foram sugeridas.

## Cenário e Expectativas

Representantes do setor privado, incluindo grandes empresas como Coca-Cola, Nestlé e Siemens, enviaram comentários ao USTR pedindo a não implementação das tarifas. No entanto, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, expressou um cenário pessimista, afirmando que "ainda há uma grande distância entre nós". O temor é que, após o prazo de 15 de julho, a reversão do "tarifaço" se torne muito mais difícil.

Durante audiências em Washington, o setor privado e políticos brasileiros pediram ao governo dos EUA para que não apliquem as novas taxas. Apesar de o governo federal brasileiro não ter estado presente nas audiências, ele afirma compreender que são voltadas ao setor privado e mantém as negociações em curso. A expectativa geral entre os empresários é que o "tarifaço" ocorra, com a aposta máxima em um aumento da lista de exceções.