Brasil e EUA: Empresas buscam acordo para evitar novo tarifaço
Entidades do Brasil e EUA propõem negociação em duas etapas para evitar novo tarifaço americano, enquanto representante dos EUA sinaliza pessimismo.

Entidades empresariais do Brasil e dos Estados Unidos, incluindo a Amcham Brasil, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a U.S. Chamber of Commerce, enviaram uma carta conjunta aos governos dos dois países solicitando uma nova rodada de negociações para evitar a imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. A iniciativa busca antecipar a decisão do Escritório de Comércio dos EUA (USTR), que tem até o dia 15 de julho para concluir uma investigação sob a Seção 301 e potencialmente aplicar uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras.
As organizações propõem uma agenda de negociação estruturada em duas fases. A primeira etapa foca em ações de curto prazo e temas considerados urgentes, como a ampliação do acesso a mercados para produtos ligados à segurança energética, data centers e infraestrutura de inteligência artificial. Sugerem também aprofundar a cooperação regulatória em setores como automóveis e equipamentos médicos, acelerar a análise de patentes no Brasil e reforçar o combate à pirataria. A carta defende ainda a prorrogação da moratória da OMC sobre tarifas em transmissões eletrônicas e a implementação do Protocolo Anticorrupção do ATEC.
Em uma segunda fase, as entidades sugerem expandir o diálogo para temas estruturais e de longo prazo, incluindo a cooperação em minerais críticos, resiliência das cadeias de suprimentos, facilitação do comércio, segurança alimentar e energética, economia digital e comércio eletrônico. O objetivo é fortalecer a relação comercial bilateral e preservar a competitividade de empresas, trabalhadores e consumidores em ambos os países.
No entanto, o cenário apresentado pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, é de pessimismo. Ele afirmou que "ainda há uma grande distância entre nós", indicando que a decisão final sobre as tarifas será tomada "muito em breve". Setores empresariais e políticos, como o senador Flávio Bolsonaro, participaram de audiências no USTR pedindo que as novas taxas não sejam aplicadas. Enquanto alguns setores pediram exclusão de suas áreas da taxação, Flávio Bolsonaro trouxe a discussão para o campo político. A expectativa de parte do setor privado é que o tarifaço ocorra, com a esperança de que a lista de exceções seja ampliada.
Empresas multinacionais como Coca-Cola, Nestlé, Tesla e Siemens também manifestaram ao USTR seu pedido para que os Estados Unidos não implementem a tarifa. A negociação visa evitar prejuízos significativos e manter a fluidez do comércio entre as duas maiores economias das Américas, que compartilham uma relação comercial estratégica e buscam consolidar sua cooperação econômica.