Brasil e EUA em negociação: Ministro critica Flávio Bolsonaro em audiência sobre tarifas

Brasil negocia tarifas com EUA, enquanto ministro critica Flávio Bolsonaro por tom político em audiência. Governo busca reverter sanções propostas pelo USTR.

Brasil e EUA em negociação: Ministro critica Flávio Bolsonaro em audiência sobre tarifas

O Brasil mantém a postura de negociação com os Estados Unidos para tentar reverter a aplicação de tarifas sobre produtos nacionais, apesar do prazo iminente estabelecido pelos americanos. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou que o país não se retirará da "mesa de negociação" e criticou a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

Segundo o ministro, a reunião técnica em Washington, que tratou de temas como o combate ao crime transnacional, foi "proveitosa". O USTR concluiu em junho uma investigação comercial contra o Brasil, propondo tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A investigação foi iniciada em julho de 2025, com prazo final para decisão em 15 de julho de 2026.

Márcio Elias Rosa classificou a atuação de Flávio Bolsonaro, que busca reverter o "tarifaço", como de "natureza político-eleitoral" e "egoística", afirmando que não há espaço para interesses que não sejam os do Brasil. Ele lamentou que a fala do senador tenha frustrado representantes de setores produtivos brasileiros presentes na audiência, que esperavam uma defesa mais enfática do país. O governo federal, em nota, considerou que a participação de Bolsonaro legitimou as acusações americanas contra o Brasil, pois, entre 34 manifestações brasileiras, ele foi o único a não se posicionar contra as tarifas, sugerindo apenas o adiamento da decisão.

Flávio Bolsonaro, em seu discurso em inglês, argumentou que o momento era inadequado para a imposição de sanções comerciais, citando a proximidade das eleições presidenciais no Brasil e a possibilidade de mudanças no cenário político. Ele defendeu o diálogo e a preservação da parceria comercial, sugerindo medidas direcionadas caso o objetivo fosse responsabilizar pessoas específicas, em vez de tarifas que afetam o comércio bilateral. O senador também mencionou casos de corrupção e destacou a implantação do PIX durante o governo de Jair Bolsonaro.

O ministro também abordou a questão do etanol, rejeitando a ideia de um regime paritário com o etanol americano, como sugerido por Bolsonaro. Ele ressaltou que o açúcar brasileiro já é sobretaxado nos EUA e que a discussão deve abranger toda a cadeia produtiva, alertando que a abertura do mercado ao etanol norte-americano poderia colocar em risco a produção, especialmente no Nordeste do país.

A audiência contou com a participação de 78 entidades e pessoas físicas, sendo 63 contra o tarifaço e 15 a favor. Entre os norte-americanos, 30 se manifestaram contra e 14 a favor.