Brasil defende rochas naturais contra tarifas de até 37,5% nos EUA
Indústria brasileira de rochas naturais defende exclusão de tarifas de até 37,5% impostas pelos EUA, com apoio de empresários americanos.

A Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) participou ativamente de uma audiência em Washington, promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O objetivo foi apresentar argumentos em defesa da exclusão das rochas naturais brasileiras de uma investigação que pode resultar na imposição de tarifas extras de até 37,5% sobre as exportações.
Na ocasião, o vice-presidente da Centrorochas, Fábio Cruz, destacou que em 2023 o Brasil exportou US$ 795 milhões em rochas naturais para o mercado americano. Ele enfatizou que cerca de 99,9% dessas exportações são compostas por chapas, materiais amplamente utilizados na fabricação de bancadas para cozinhas e banheiros, revestimentos e outros acabamentos de alto padrão. Segundo o representante brasileiro, a indústria norte-americana não compete diretamente nesses segmentos específicos.
O posicionamento da Centrorochas encontrou forte eco entre representantes da própria cadeia de rochas naturais dos Estados Unidos. O Natural Stone Institute (NSI), entidade máxima do setor nos EUA, representado por seu diretor executivo Jim Hieb, também compareceu à audiência, reforçando a importância da pedra natural brasileira para a economia americana e a necessidade de manter uma cadeia de suprimentos estável e competitiva.
O apoio ao setor brasileiro se estendeu a importadores e distribuidores americanos, como a Pacific Shore Stones, que possui 17 unidades em seis estados. Essas empresas alertaram ao USTR sobre a falta de substitutos equivalentes em quantidade, variedade e características técnicas para diversos materiais brasileiros. Além disso, alertaram para os potenciais impactos negativos das tarifas sobre custos, investimentos e a estabilidade do mercado americano.
Fábio Cruz ressaltou que a participação brasileira vai além da defesa de interesses pontuais, demonstrando o compromisso em construir uma relação comercial duradoura. Ele argumentou que as rochas naturais brasileiras não representam uma ameaça à produção doméstica dos EUA, mas sim um complemento essencial para uma cadeia produtiva que gera empregos e investimentos. A exclusão dessas tarifas, segundo Cruz, beneficiaria a indústria americana, preservaria a competitividade de empresas e evitaria o aumento de custos para os consumidores.
A investigação do USTR, conduzida sob a Seção 301 da legislação comercial americana, visa identificar práticas comerciais consideradas desleais por parte de outros países. A decisão final sobre a imposição das tarifas ainda será tomada pelo governo dos Estados Unidos.