BNDES Pede R$ 7,25 Bilhões Para Socorrer Empresas Afetadas por Tarifas dos EUA
BNDES solicita R$ 7,25 bilhões à Fazenda para socorrer empresas afetadas por tarifas dos EUA através do Plano Brasil Soberano. Setores como alimentos e máquinas pedem crédito enquanto governo brasileiro reage às novas taxações americanas.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) solicitou ao Ministério da Fazenda a liberação de R$ 7,25 bilhões adicionais para reforçar as linhas de crédito do programa Brasil Soberano. O objetivo é apoiar empresas brasileiras que foram impactadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. O pedido foi encaminhado à Secretaria do Tesouro Nacional e visa alimentar o Fundo de Garantia à Exportação (FGE), que financia o programa.
## Demanda Crescente por Financiamento
Segundo Nelson Barbosa, diretor de planejamento e relações institucionais do BNDES, a liberação dos recursos é justificada pela "demanda adicional prevista" para as linhas de financiamento. O Plano Brasil Soberano, inicialmente previsto com R$ 15 bilhões, teve sua capacidade ampliada para R$ 21 bilhões com recursos próprios do banco. No entanto, os pedidos de financiamento já protocolados totalizam R$ 18,4 bilhões, o que motivou a solicitação da segunda parcela de R$ 7,25 bilhões. O Tesouro Nacional já havia liberado R$ 7,75 bilhões anteriormente.
As maiores demandas por crédito vêm dos setores de alimentos, fármacos, fertilizantes, minerais críticos e máquinas e equipamentos. A iniciativa busca evitar que as empresas afetadas pelas barreiras comerciais americanas reduzam investimentos, produção ou enfrentem problemas de fluxo de caixa em um cenário de instabilidade no comércio internacional.
## Impacto das Tarifas e Resposta do Governo
O governo federal anunciou a retomada do programa de apoio aos setores empresariais atingidos pelo "tarifaço" dos EUA, que entrará em vigor a partir de 22 de julho. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) confirmou uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, alegando práticas comerciais "desleais". O governo brasileiro rejeita essas justificativas.
Os setores mais atingidos incluem madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. Estimativas indicam que cerca de 2,4 mil empresas nacionais são diretamente afetadas, respondendo por aproximadamente 18% das exportações brasileiras para os EUA, o equivalente a US$ 7,4 bilhões em transações. O governo também sinalizou a possibilidade de aplicar a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, como resposta às ações americanas.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou a decisão dos EUA como uma "interferência externa indevida" e afirmou que as alegações americanas não se sustentam em dados concretos. Ele garantiu que o "tarifaço" não afetará a estabilidade macroeconômica do país, e que as medidas de socorro serão implementadas.
## Plano Brasil Soberano e FGE
O Plano Brasil Soberano foi concebido para oferecer financiamento em condições mais acessíveis a empresas exportadoras e seus fornecedores, visando a manutenção de investimentos, capital de giro e produção. O Fundo de Garantia à Exportação (FGE), que tradicionalmente garante operações de crédito para exportações, teve seu escopo ampliado por medida provisória em março deste ano para também financiar as linhas do Plano Brasil Soberano, apoiando empresas prejudicadas pelo "tarifaço" e pela guerra no Oriente Médio.
A participação dos EUA nas exportações brasileiras caiu para 9,4% em 2026, e o governo busca fomentar a diversificação de mercados para produtos como carnes, café, óleos e itens de aviação, que foram poupados da taxação. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, refutou a alegação de que o Pix seria um motivo para as tarifas, comparando a justificativa a argumentos "estapafúrdios".