Bancos Centrais Reduzem Dólar e Buscam Ouro Diante de Riscos

Bancos centrais globais planejam reduzir reservas em dólar e aumentar apostas em ouro, euro e renminbi, refletindo preocupações com risco político e instabilidade global.

Bancos Centrais Reduzem Dólar e Buscam Ouro Diante de Riscos

Pela primeira vez em uma década, mais bancos centrais manifestaram a intenção de diminuir suas reservas em dólar do que de aumentá-las. Essa mudança de paradigma, conforme aponta uma pesquisa global divulgada recentemente, reflete um crescente receio em relação aos riscos políticos associados à moeda americana. A pesquisa, conduzida pelo OMFIF (Official Monetary and Financial Institutions Forum) entre março e maio deste ano, ouviu 74 instituições financeiras de todo o mundo.

Os resultados indicam uma alteração significativa na forma como os bancos centrais gerenciam suas reservas cambiais. A instabilidade geopolítica, intensificada por conflitos internacionais e agendas políticas externas imprevisíveis, tem levado essas instituições a reavaliar a exposição ao dólar. A participação da moeda americana nas reservas globais já havia atingido o menor patamar em 20 anos no ano anterior, segundo dados do JPMorgan.

## Mudança na Estratégia de Reservas

O relatório do OMFIF destaca que, pela primeira vez desde o início do registro das intenções de investimento em 2023, a vontade de reduzir as alocações em dólar superou a de expandi-las. Essa tendência, conhecida como "desdolarização", implica uma diminuição no uso do dólar em transações comerciais e financeiras internacionais, o que pode impactar sua demanda e valor no longo prazo.

Andrea Correa, chefe de pesquisa do OMFIF, informou que o dólar tem se mantido em torno de 58% das alocações dos bancos centrais nos últimos cinco anos. No entanto, a pesquisa aponta para uma "desdolarização gradual", com os bancos centrais buscando diversificar suas reservas. O euro e o renminbi chinês emergem como alternativas cada vez mais atrativas.

## Euro e Renminbi Ganham Espaço

Quase a totalidade dos bancos centrais consultados acredita que o renminbi oferece oportunidades de diversificação. Além disso, dois terços das instituições afirmaram que o euro se tornou mais atraente para o comércio global, um aumento significativo em relação aos 43% registrados no ano passado. Vinte e nove por cento dos entrevistados planejam aumentar suas reservas em euro a longo prazo, contra 22% no ano anterior. O euro tem demonstrado força, atingindo níveis recordes em dívidas internacionais e se consolidando como a principal moeda em títulos verdes.

## Ouro Como Porto Seguro

Paralelamente à diversificação de moedas, o aumento do risco geopolítico tem impulsionado a demanda por ouro. Uma parcela recorde de bancos centrais indicou planos de aumentar seus investimentos no metal precioso, mesmo com a valorização de mais de 20% em relação ao ano anterior. O ouro tem sido visto como um refúgio seguro contra a instabilidade global e as dúvidas sobre a solidez do sistema monetário internacional. Segundo o relatório, 51% dos bancos centrais citaram a proteção contra o risco geopolítico como principal motor para aumentar suas reservas em ouro, um aumento de 11% em relação a 2024.

Embora o dólar ainda domine a maior parte das reservas cambiais, a pesquisa sinaliza uma mudança de rota nas estratégias financeiras globais, com um foco crescente na diversificação e na busca por ativos considerados mais seguros em tempos de incerteza.