Azul retoma voos na NYSE e foca em reduzir dívidas

Após reestruturação financeira, a Azul retorna à NYSE com foco em reduzir endividamento, diversificar receitas e fortalecer seu ecossistema de serviços.

Azul retoma voos na NYSE e foca em reduzir dívidas

A Azul (AZUL3) deu início a um novo capítulo em sua trajetória, marcando seu retorno à Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) após concluir seu processo de reestruturação financeira nos Estados Unidos. A companhia aérea almeja demonstrar solidez após o "Chapter 11", apresentando um endividamento reduzido, receitas mais diversificadas e um balanço financeiro mais robusto para enfrentar as instabilidades inerentes ao setor aéreo.

O CEO da Azul, John Rodgerson, destacou em entrevista que a reestruturação permitiu à empresa atingir um nível de alavancagem inferior ao registrado antes da pandemia. Se em 2019, no pico de seu valor de mercado, a alavancagem era de cerca de três vezes, atualmente o indicador está em 2,4 vezes, mesmo com a valorização do dólar. Rodgerson reconheceu os "choques extraordinários" recentes, como a pandemia, desvalorização cambial, enchentes e aumento de juros, que levaram o setor a um cenário de "sobrevivência". Após a saída do processo de recuperação judicial, a Azul reinvestiu na experiência do passageiro, observando uma melhora de 25 pontos em seu índice de satisfação (NPS).

## Novos Desafios e Estratégias

A recuperação ocorre em um momento de volatilidade macroeconômica global. As tensões geopolíticas e o consequente aumento do preço do petróleo representam novos desafios. Contudo, a Azul já vinha adotando uma estratégia de crescimento mais moderado, buscando reduzir riscos antes mesmo desses choques. Um dos objetivos centrais é mudar a percepção de investidores que veem a Azul como uma ação "de alto beta", excessivamente sensível a movimentos de câmbio e combustível. A meta é reduzir a alavancagem para 1,5 vez, seguindo o exemplo de outras companhias aéreas que se recuperaram de processos judiciais e diminuíram seu custo de capital.

## Diversificação e Ecossistema

A estratégia da Azul também prevê a expansão de negócios que vão além do transporte de passageiros. Atualmente, cerca de 25% das novas receitas já provêm de atividades como fidelidade, logística, turismo e manutenção aeronáutica. Essas áreas oferecem potencial de crescimento sem a necessidade imediata de expandir a frota, contribuindo para a redução de riscos e o aumento da rentabilidade. A companhia busca fortalecer o relacionamento com o cliente através de produtos como cartões de crédito, programas de fidelidade, pacotes de viagem e serviços de carga, visando maior presença no cotidiano dos consumidores.

## Cenário Brasileiro e Concorrência

Rodgerson também apontou os desafios estruturais do mercado brasileiro, como a volatilidade cambial, juros elevados e o alto custo do combustível, que exigem endividamento mais baixo comparado a outros mercados. A pandemia agravou a situação ao forçar as empresas a contrair mais dívidas em um período de queda na demanda. O CEO vê com bons olhos o aumento da participação do governo em mecanismos de apoio ao setor, destacando a importância estratégica da aviação para um país continental como o Brasil e a necessidade de linhas de crédito específicas para o segmento.

Em relação à concorrência, a Azul adota uma postura mais cautelosa, priorizando clientes de maior valor agregado e o fortalecimento de seu ecossistema de produtos e serviços, em contraste com rivais que expandem a oferta de voos de forma mais acelerada. Essa cautela não representa uma mudança de posicionamento, mas sim uma estratégia focada em fortalecer sua base e operações.