Ásia impulsiona exportações brasileiras e reduz dependência dos EUA

Especialista aponta que a Ásia, especialmente a China, impulsiona as exportações brasileiras, reduzindo a dependência dos EUA e mitigando o impacto de tarifas. No entanto, desmatamento no Brasil gera desvantagem para agricultores americanos.

Ásia impulsiona exportações brasileiras e reduz dependência dos EUA

O Brasil tem diminuído sua dependência dos Estados Unidos nas exportações, com um crescimento expressivo nas relações comerciais com a Ásia nas últimas duas décadas. Essa transformação, impulsionada pelo aumento da renda em países asiáticos e pela demanda por alimentos e matérias-primas, tem tornado o país menos vulnerável a tarifas impostas pelos EUA. Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), avalia que o Brasil será um dos exportadores menos afetados pelas sobretaxas americanas, que variam entre 12,5% e 25%.

## Diversificação Asiática

A China é o principal exemplo dessa mudança. Em 2001, o fluxo comercial bilateral era de cerca de US$ 1 bilhão anualmente. Atualmente, o mesmo volume é alcançado em aproximadamente 50 horas, segundo Troyjo. Em 2026, a Ásia, liderada pela China, representou 31,6% das exportações brasileiras no primeiro semestre, enquanto os EUA responderam por apenas 9,4%. O agronegócio brasileiro se beneficia particularmente, com tarifas médias de 9,2% na China contra 11,8% nos EUA. Em 2024, as importações chinesas de produtos agropecuários brasileiros atingiram US$ 52,5 bilhões, quase sete vezes mais do que os US$ 7,9 bilhões comprados pelos americanos.

Além da China, o fortalecimento das relações comerciais com Índia, Indonésia, Vietnã, Bangladesh e Paquistão também contribui para essa diversificação. Troyjo ressalta que o Brasil não está entre os 42 países investigados pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) por capacidade estrutural excessiva, o que o exime de ser um alvo principal das ofensivas comerciais americanas. Adicionalmente, o país representa apenas 1,2% das importações dos EUA, mantendo produtos essenciais como café e carne bovina sob regimes de tratamento diferenciado.

## Desvantagem Competitiva para Agricultores Americanos

Por outro lado, práticas de desmatamento no Brasil têm sido apontadas como um fator que coloca agricultores americanos em desvantagem competitiva. Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, afirmou em audiência no Senado americano que "padrões ambientais mais baixos em outros países justificam tarifas mais altas". O desmatamento ilegal foi um dos argumentos utilizados pelo governo dos EUA para justificar o novo tarifaço sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que práticas ambientais inadequadas "oneram ou restringem" o comércio. A oferta de produtos como madeira e carne a preços mais baixos, supostamente produzidos em áreas associadas a crimes ambientais, é citada como um exemplo dessa prática.

Apesar do impacto potencialmente limitado das tarifas sobre o Brasil, estimado em cerca de US$ 6 bilhões das exportações, Troyjo defende a continuidade dos esforços diplomáticos para preservar o acesso ao mercado americano, visto que os EUA ainda são um dos maiores mercados consumidores globais e destino de exportações de maior valor agregado.