Argentina: Lições de Choque Econômico e Recuperação Rápida

Argentina implementa agenda econômica ousada com corte de gastos e desregulação, resultando em crescimento, queda da inflação e redução significativa da pobreza.

Argentina: Lições de Choque Econômico e Recuperação Rápida

A Argentina tem demonstrado que o sucesso econômico, frequentemente, não surge do nada, mas sim do aprendizado com experiências alheias, evitando erros já cometidos. Compartilhando história, geografia e dilemas estruturais com o Brasil, o que acontece do outro lado da fronteira merece atenção, não como um modelo a ser copiado, mas como uma experiência valiosa a ser observada.

Nos últimos dois anos, a Argentina implementou um conjunto ousado de reformas liberais que já começam a apresentar resultados concretos. No final de 2023, o país enfrentava um cenário crítico: inflação anual superior a 200%, um déficit fiscal expressivo, 15 anos de estagnação econômica e um aumento acelerado da pobreza, que atingia metade da população. As reservas internacionais estavam negativas, e o país estava preso em um ciclo vicioso de expansão fiscal, inflação, crise e correções incompletas.

A agenda de reformas estruturou-se em cinco pilares fundamentais: equilíbrio fiscal, liberdade econômica, respeito aos direitos de propriedade, segurança pública e inserção internacional. O eixo central foi o ajuste fiscal. Em menos de um ano, o déficit nas contas públicas, que superava 5% do PIB, foi revertido para um superávit, o primeiro em 15 anos, com uma redução de cerca de cinco pontos percentuais do PIB nos gastos públicos.

## Lições sobre Austeridade e Crescimento

Contrariando a percepção comum de que austeridade leva à recessão persistente, a economia argentina retomou o crescimento com vigor. Após uma contração inicial, o país registrou 4,4% de crescimento em 2025, com projeções de 3,5% para 2026. Embora o contexto de inflação elevada tenha facilitado o início do ajuste, a lição mais relevante reside na mudança da composição do orçamento, com foco no corte de gastos. Estudos acadêmicos, como os de Alberto Alesina, Carlo Favero e Francesco Giavazzi, demonstram que ajustes críveis baseados em corte de despesas geram melhores resultados e podem ser expansionistas, pois liberam recursos para o setor privado, que os aloca com maior eficiência.

## Impacto Social e Redução da Pobreza

O impacto dessas medidas foi sentido diretamente na vida dos cidadãos. A inflação, que ultrapassava 200% ao ano, foi reduzida para uma taxa mensal inferior a 3%. O risco-país despencou de mais de 2.000 para menos de 500 pontos. O efeito social mais notável foi a queda da pobreza, que recuou de 52,9% para 28,2% no segundo semestre de 2025. A debelação da inflação eliminou o que é considerado o imposto mais regressivo da economia, que corrói primeiramente a renda dos mais pobres.

## Desregulação e Liberdade Econômica

Os pilares de liberdade econômica e direitos de propriedade se traduziram em uma intensa desregulação. Mais de 15.500 normas foram revogadas, muitas delas servindo mais à preservação de privilégios do que ao interesse público. A remoção de barreiras desnecessárias protegeu incumbentes, onerou pequenas empresas e reduziu a concorrência. Exemplos como a liberação da internet via satélite, que alcançou 3 milhões de usuários, e a remoção de controles de preço no mercado de aluguéis, que resultou em queda de 30% nos preços reais e aumento da oferta, ilustram a eficácia dessas medidas.

## Segurança Pública em Destaque

No campo da segurança, a Argentina registrou em 2024 uma taxa de homicídios de 3,8 por 100 mil habitantes, a menor da América do Sul e a mais baixa em décadas. Esses resultados demonstram que uma agenda econômica ousada, focada em disciplina fiscal e liberdade econômica, pode trazer não apenas estabilidade, mas também crescimento e melhoria social, oferecendo lições importantes para outros países em desenvolvimento.