Ano eleitoral ameaça fisco brasileiro com gastos e 'pautas-bomba'

Consultoria Arko Advice aponta que ano eleitoral em 2026 pressiona risco fiscal do Brasil com gastos e populismo, podendo afetar economia e popularidade.

Ano eleitoral ameaça fisco brasileiro com gastos e 'pautas-bomba'

O cenário econômico brasileiro em 2026, ano eleitoral, está sob intensa pressão devido à combinação de pautas-bomba e aumento de gastos governamentais, conforme análise da consultoria Arko Advice. O relatório "Risco Brasil" aponta que essas movimentações tendem a fragilizar as regras fiscais e comprometer as contas públicas do país.

Entre as propostas que geram preocupação está a elevação do Simples Nacional, que, segundo estimativas da equipe econômica, poderia custar mais de R$ 40 bilhões aos cofres públicos. Apesar da oposição do Planalto a essa medida específica, o governo Lula já implementou iniciativas que podem injetar cerca de R$ 227 bilhões na economia em 2026, de acordo com levantamento do CNN Money.

## Pressão sobre o Orçamento e Investimento

Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice, destaca que a insegurança fiscal afeta diretamente o instinto investidor dos empresários. "Com essa insegurança a respeito da questão fiscal, o empresário retrai o seu instinto de investidor e prefere aguardar para ver o que que vai acontecer", explicou. Ele avalia que há pouco espaço para debates de reformas fiscais em meio a uma disputa de populismo entre o governo e o Congresso.

A consultoria prevê uma possível perda de credibilidade com a aprovação de matérias prejudiciais ao orçamento e a derrubada parcial de vetos presidenciais que aumentam despesas. Isso resultaria em um "ruído fiscal" e uma deterioração gradual do orçamento, o que poderia levar a uma queda menor nas taxas de juros.

## Cenários Futuros e Impacto Político

Aragão alerta que a deterioração orçamentária, somada a outros fatores políticos, pode impactar as campanhas presidenciais. "Vejo uma piora no quadro e, quando esse cenário institucional e fiscal bater na atividade econômica, vai gerar uma impopularidade maior do governo", afirmou.

No entanto, a Arko Advice também considera um cenário de contenção de gastos, onde o Congresso limitaria o avanço de pautas-bomba e preservaria vetos presidenciais. Nesse caso, as regras fiscais seriam "arranhadas", mas mantidas, permitindo um ciclo gradual de cortes nos juros pelo Banco Central e um ambiente econômico mais previsível.

A análise sugere que a gestão das contas públicas e a capacidade de conter gastos populistas serão determinantes para a estabilidade econômica e o desfecho político em 2026, com potenciais consequências para a popularidade do governo e o comportamento do mercado.