Ajuste fiscal no Brasil: 'No amor ou na porrada', afirma especialista

Especialista Walter Maciel alerta que o Brasil precisa de um ajuste fiscal "no amor ou na porrada" para evitar crise. Aumento de gastos públicos e cenário internacional adverso são os principais desafios.

Ajuste fiscal no Brasil: 'No amor ou na porrada', afirma especialista

A necessidade de um ajuste fiscal rigoroso no Brasil foi destacada por Walter Maciel, CEO da AZ Quest, durante um painel na Expert XP 2026. Segundo ele, a escalada dos gastos do governo federal exigirá uma revisão "no amor ou na porrada", indicando que o país enfrentará consequências severas caso não adote medidas para equilibrar suas contas públicas.

## Desafios Fiscais e Econômicos

Maciel, juntamente com outros gestores como Daniel Dupont (Kapitalo) e Bruno Marques (XP Asset Management), analisou o cenário econômico brasileiro e internacional. Apesar de o Brasil apresentar um Produto Interno Bruto (PIB) em crescimento e uma balança comercial positiva, o alto endividamento e a preocupante inadimplência são sinais de alerta. Bruno Marques observou que o crescimento econômico atual não reflete uma melhora estrutural, mas sim o resultado de medidas temporárias que cobrarão um preço futuro. A relação dívida/PIB subiu quase 10% nos últimos três anos, impulsionada por pacotes de medidas fiscais e parafiscais que somam R$ 200 bilhões, contribuindo para a inflação elevada e juros restritivos. Para estabilizar a dívida, seria necessário um ajuste fiscal de 3,5% a 4,5% do PIB.

## A Solução e os Riscos Políticos

Walter Maciel reiterou que a solução para a crise fiscal brasileira passa por um ajuste de 4% do PIB, algo que considera factível diante de renúncias fiscais que chegam a 7% do PIB. Ele comparou o potencial impacto de um ajuste fiscal bem-sucedido ao do Plano Real, prevendo resultados rápidos, como a estabilização dos juros e a atração de investimentos. No entanto, Maciel alertou que a execução dessas medidas é o grande desafio. Ele apontou o aumento contínuo dos gastos públicos, que saltaram de cerca de 7% do PIB no primeiro governo Lula para patamares próximos a esse novamente no atual mandato. O CEO da AZ Quest considera "quase impossível" que o país passe mais quatro anos expandindo o gasto público sem enfrentar uma crise que possa culminar em um impeachment ou evento similar.

## Cenário Internacional Adverso

O panorama internacional também apresenta desafios adicionais. Bruno Marques destacou que os países desenvolvidos, ao manterem fortes estímulos fiscais pós-pandemia, aumentaram seu endividamento e consumo, assemelhando-se a economias emergentes. Além disso, os investimentos massivos em inteligência artificial (IA) transformaram empresas de tecnologia de poupadoras em grandes tomadoras de capital. Esse cenário, somado à desaceleração econômica da China, com endividamento chinês atingindo 350% do PIB e crescimento real estimado entre 2% e 2,5%, aumenta as pressões inflacionárias globais. Países com políticas fiscais mais vulneráveis, como o Brasil, tendem a ser mais prejudicados, com curvas de juros globais em ascensão.