Agronegócio Brasileiro Luta Contra Tarifas dos EUA em Audiência Crucial

Setor produtivo brasileiro se une para contestar tarifas de Trump em audiência nos EUA. Argumentos focam em risco inflacionário e desabastecimento para consumidores americanos.

Agronegócio Brasileiro Luta Contra Tarifas dos EUA em Audiência Crucial

O setor produtivo brasileiro e especialistas se preparam para uma audiência fundamental no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), nesta segunda-feira (6). O objetivo é argumentar contra as tarifas comerciais propostas pelo governo de Donald Trump, que visam sobretaxar matérias-primas e insumos agropecuários brasileiros sob a Seção 301.

A delegação brasileira, composta por mais de 70 representantes de diversas cadeias produtivas, economistas, especialistas em diplomacia corporativa e agentes políticos, buscará demonstrar em Washington que a imposição dessas tarifas terá um impacto inflacionário direto sobre o mercado consumidor norte-americano. A audiência prevê a participação de 11 representantes do agronegócio brasileiro e 12 do setor produtivo dos Estados Unidos, em um embate de narrativas e estratégias.

## Disputa no Setor de Biocombustíveis

Um dos pontos centrais de tensão é o mercado de biocombustíveis. A Associação dos Produtores de Etanol dos Estados Unidos (RFA) defende tarifas recíprocas contra o Brasil, alegando assimetrias competitivas e práticas comerciais desleais. A RFA divulgou uma pesquisa indicando forte apoio do eleitorado americano a políticas de autonomia energética e mistura obrigatória de combustíveis renováveis, com 74% dos eleitores registrados apoiando o programa federal de incentivo aos biocombustíveis.

No entanto, analistas de mercado contrapõem que a segurança energética dos EUA depende da complementação via importações de parceiros eficientes como o Brasil. A entidade argumenta que o fortalecimento da indústria interna é crucial, mas o abastecimento regular do país se beneficia da importação.

## Impactos em Café e Carnes

O temor do agronegócio brasileiro se estende a outros segmentos. No setor de café solúvel, o diretor executivo da ABICS, Aguinaldo Lima, já observa dificuldades para compradores norte-americanos em suas composições devido à restrição do grão brasileiro. Historicamente o maior parceiro comercial, os EUA perderam a liderança para a Alemanha após a manutenção de tarifas de 10% sobre o produto.

No mercado de proteína animal, a dependência é complexa. Grandes frigoríficos brasileiros com plantas na América Latina podem continuar abastecendo os EUA mesmo com barreiras, dada a baixa produção de rebanho bovino americano, que atinge o menor nível em 70 anos. A demanda externa aquecida mantém a interdependência.

## Estrutura da Audiência e Participantes

A audiência no USTR, que ocorrerá na próxima segunda-feira (6), contará com 14 painéis temáticos. Cada representante terá até 5 minutos para apresentar um sumário executivo focado nas consequências fiscais e econômicas de uma possível retaliação tarifária. O comitê do USTR poderá fazer perguntas técnicas, com direito a réplicas rápidas das partes interessadas.

Entre os representantes brasileiros confirmados no agronegócio estão líderes de associações como Abiarroz, Sagma, Sociedade Rural Brasileira, CNA, Cecafé, ABICS, Abemel, Unem, Unica, Ibá e Abimci, que apresentarão argumentos técnicos e econômicos para defender a competitividade do setor.