Agro brasileiro corre contra o tempo para driblar tarifa dos EUA
Empresas do agro brasileiro buscam acelerar embarques e negociar exceções para evitar nova tarifa de 25% dos EUA, que entra em vigor em breve.

Empresas brasileiras do agronegócio correm contra o tempo para mitigar os efeitos da nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos, que entrará em vigor nesta quarta-feira, 22 de julho. A principal estratégia de curto prazo para os exportadores é a antecipação de embarques, a fim de que as mercadorias sejam nacionalizadas nos EUA até 29 de julho e fiquem isentas da cobrança.
## Janela de Adaptação Limitada
O advogado tributarista Rafael Pandolfo, especialista em direito econômico e empresarial, destaca que o período de adaptação é extremamente curto, com apenas sete dias entre o anúncio da medida e sua aplicação integral. A exceção prevista pela regra americana abrange apenas mercadorias que já iniciaram o trânsito internacional antes de 22 de julho e sejam nacionalizadas até 29 de julho. Apesar de o tributo ser pago pelo importador americano, o impacto financeiro se reflete rapidamente nas empresas brasileiras, seja por renegociação de preços ou cancelamento de pedidos.
## Estratégias Pós-Tarifa
Após a entrada em vigor das tarifas, as ações se concentrarão em frentes jurídicas e diplomáticas, voltadas para o governo americano. O caminho mais eficaz, segundo Pandolfo, é apresentar pedidos de exclusão tarifária diretamente ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), idealmente em colaboração com importadores americanos. Esse mecanismo já funcionou anteriormente, com a retirada de mais de 200 produtos agrícolas da lista de sobretaxação em 2025, após pressão contra a inflação de alimentos nos EUA.
No Brasil, discute-se a possibilidade de o governo federal acionar a Lei de Reciprocidade Econômica, mas Pandolfo adverte sobre os riscos de retaliação. Uma resposta baseada em reciprocidade comercial pode gerar reações mais severas dos EUA, tornando o apoio governamental aos setores afetados uma alternativa mais segura. A abertura de disputa na OMC é vista como uma opção formal, mas com baixas chances de sucesso devido à paralisação do Órgão de Apelação desde 2019.
## Efeito nos Preços e Negociações
Pandolfo avalia que os mecanismos previstos na legislação americana podem reduzir o risco de uma alta expressiva nos preços para o consumidor dos EUA, pois o USTR pode revisar a lista de exceções. Produtos considerados sensíveis para a inflação americana, como carne bovina, café e suco de laranja, foram preservados. No mercado brasileiro, o efeito pode ser o inverso no curto prazo: a permanência de produtos que perderam espaço no mercado americano pode aumentar a oferta doméstica e pressionar os preços para baixo. O desfecho dependerá da capacidade de negociação dos setores afetados com as autoridades americanas.