Zélia Gattai salvou acervo de Jorge Amado da Bahia
Zélia Gattai impediu a transferência do acervo de Jorge Amado para os EUA, garantindo que sua obra permanecesse na Bahia, onde a fundação celebra 40 anos em 2026.

A Fundação Casa de Jorge Amado, um importante centro de preservação da memória do renomado escritor baiano, está prestes a completar 40 anos em 2026. Localizada no histórico Pelourinho, em Salvador, a instituição foi erguida graças ao empenho da família, de intelectuais e de entusiastas da cultura, com o objetivo primordial de manter na Bahia o vasto acervo de um dos autores mais influentes da literatura brasileira.
A sede da fundação foi oficialmente inaugurada em 7 de março de 1987, sucedendo a ata de constituição formalizada em 2 de julho de 1986. Contudo, a gênese do projeto remonta a anos anteriores, motivada por uma preocupação genuína do próprio Jorge Amado a respeito do futuro de sua obra literária.
Segundo relatos de Paloma Jorge Amado, filha do escritor, a ideia para a fundação ganhou força após uma estadia de seu pai na The Pennsylvania State University, nos Estados Unidos. Durante as celebrações de seu 70º aniversário e 50 anos de carreira, Jorge Amado recebeu uma proposta da universidade americana para abrigar seu acervo.
Inicialmente, o escritor chegou a considerar a oferta. Ele confidenciou à sua esposa, Zélia Gattai, que a organização e os recursos disponíveis nos Estados Unidos poderiam ser vantajosos para a preservação de suas obras. "Acho que eu vou mandar tudo isso [as obras], lá pelo menos eles são organizados", teria dito.
A reação de Zélia Gattai, no entanto, foi categórica e decisiva. Com firmeza inabalável, ela declarou que o acervo jamais deixaria a Bahia. "Só por cima do meu cadáver esse acervo sai da Bahia. Não estou falando do Brasil, não. Estou falando da Bahia. Você é um escritor baiano e esse acervo tem que ficar aqui", afirmou, salvaguardando o legado cultural do marido em sua terra natal.