UFRJ concede diploma póstumo a Stuart Angel após 55 anos

UFRJ concede diploma póstumo de Economia a Stuart Angel, estudante morto na ditadura militar há 55 anos, em ato de reparação histórica.

UFRJ concede diploma póstumo a Stuart Angel após 55 anos

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou uma cerimônia de diplomação póstuma para Stuart Edgard Angel Jones, estudante de Ciências Econômicas cuja trajetória acadêmica foi brutalmente interrompida durante a Ditadura Militar no Brasil. A solenidade ocorreu no Salão Dourado do Palácio Universitário, localizado na Praia Vermelha, zona sul do Rio de Janeiro.

Stuart Angel, membro do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), foi sequestrado, preso, torturado e assassinado em 1971, aos 25 anos, por sua atuação contra o regime. Cinquenta e cinco anos após sua morte, a UFRJ concedeu o diploma de bacharelado em ciências econômicas, em um ato que busca ser uma reparação histórica e um reconhecimento institucional à sua memória e luta.

A iniciativa para a diplomação póstuma foi impulsionada pela jornalista Hildegard Angel, irmã de Stuart, e pelo economista Lucas Duda, ex-membro do Centro Acadêmico Stuart Angel (CASA) da UFRJ. Eles apresentaram o pedido ao reitor Roberto Medronho, que atendeu à demanda.

Hildegard Angel destacou a importância do evento como uma "pitada de vitória" para todos que lutaram contra a ditadura, reforçando a necessidade de manter viva a memória dos heróis da resistência brasileira. Ela ressaltou que a motivação desses jovens em lutar por liberdade e por uma sociedade mais justa, mesmo diante do medo e do risco, deve ser sempre lembrada e enaltecida.

A irmã de Stuart também mencionou as perdas familiares decorrentes da ditadura, incluindo o assassinato de sua mãe, a estilista Zuzu Angel, e de sua cunhada, Sônia Moraes, que também foi torturada e morta. Hildegard enfatizou que um país sem heróis e sem referências de luta não pode prosperar, e que a história de Stuart e de tantos outros deve ser contada com sua "fisionomia verdadeira".

Lucas Duda complementou, afirmando o compromisso de manter vivo o legado de Stuart Angel para as futuras gerações, incentivando especialmente os alunos mais novos a conhecerem sua história e o que ele representa para o país. A diplomação, segundo ele, também se estende a outros companheiros de Stuart da época e a Sônia Moraes.

O reitor Roberto Medronho classificou a diplomação como uma forma de reparação e como uma parte fundamental da memória da universidade, especialmente para os atuais 70 mil estudantes, que devem conhecer e valorizar a história daqueles que dedicaram sua juventude à luta pela liberdade democrática no Brasil.