Tony Bellotto revela bastidores dos Titãs no Roda Viva
Tony Bellotto, dos Titãs, detalha no Roda Viva os desafios de uma "banda improvável" com múltiplos integrantes e sua longevidade artística e literária.

O guitarrista e escritor Tony Bellotto, membro fundador dos Titãs, compartilhou reflexões sobre a trajetória da banda no programa Roda Viva, exibido nesta segunda-feira (6). Bellotto, que participou da gravação de 25 álbuns do grupo e atualmente celebra os 40 anos do disco "Cabeça Dinossauro", destacou a natureza "improvável" dos Titãs desde o início.
"A gente sempre foi, desde o começo, uma banda improvável. Oito caras. Quer dizer, a chance de a gente ganhar algum dinheiro ali, naquele início, era impossível", afirmou Tony. Ele ressaltou as dificuldades inerentes a um grupo com tantos integrantes, não apenas pela divisão de ganhos e debates de ideias, mas pela complexidade em tomar decisões conjuntas. "Não é só essa questão do dinheiro a ser dividido, das ideias a serem debatidas. É difícil tomar uma decisão quando oito pessoas precisam decidir. Na primeira formação, acho que éramos nove até", complementou.
Bellotto explicou que a essência dos Titãs sempre foi uma "aventura em nome da arte", onde o objetivo inicial não era profissionalizar o grupo, mas sim criar música entre amigos. O primeiro grande abalo, segundo ele, ocorreu em 1993 com a saída de Arnaldo, momento em que os membros restantes duvidaram da capacidade de manter a identidade da banda sem um integrante tão central. "A gente viu que deu. E, quando um dos integrantes sai, os que ficam renovam aquele pacto de fazer aquilo valer, funcionar. E foi acontecendo. Era impossível manter os oito juntos ao longo do tempo. Eram ideias diferentes", disse.
Além da carreira musical, Tony Bellotto possui uma sólida atuação como escritor, com 11 livros publicados. Sua série policial com o detetive Remo Bellini foi adaptada para o cinema e traduzida internacionalmente, e ele venceu o Prêmio Jabuti em 2025 com o romance "Vento em Setembro".
A bancada de entrevistadores contou com Adriana de Barros (Terra Sonora), Adriano Schwartz (USP), Edgard Piccoli (comunicador), Julio Maria (jornalista musical), Roberta Martinelli (TV Cultura) e Sérgio Martins (crítico musical), com participação do cartunista Eduardo Baptistão. O programa foi apresentado por Ernesto Paglia.