Silvio Santos é apontado como primeiro influenciador do Brasil
João Pedro Paes Leme, fundador da Play9, compara Silvio Santos aos influenciadores digitais atuais e destaca a transformação da comunicação no Brasil nos últimos 15 anos.

A comunicação digital no Brasil passou por uma transformação radical nos últimos 15 anos, impulsionada pelo surgimento e consolidação dos influenciadores digitais. João Pedro Paes Leme, jornalista e fundador da agência de influência digital Play9, compara o pioneirismo de Silvio Santos com a atual geração de criadores de conteúdo, destacando o apresentador como o primeiro grande "influenciador" brasileiro.
## A Era da Influência Digital
Paes Leme, autor do livro "A Era da Influência", observa que o ecossistema comunicacional viveu um "salto quântico". Ele relembra como, em 2011, apostou no potencial de youtubers como Felipe Neto para projetos de jornalismo esportivo, algo impensável para a mídia tradicional da época. A capacidade de ter canais de comunicação próprios, como Silvio Santos fez ao longo de sua carreira, é vista por ele como um prenúncio da era digital.
"O primeiro youtuber que existiu foi o Silvio Santos, porque ele fez o mesmo: trabalhou na Globo e, quando precisava de mais espaço e viu que não ia conseguir, abriu o próprio canal", brinca Paes Leme. Ele ressalta que, hoje, criar uma conta em plataformas como Instagram, TikTok ou YouTube é um processo simples e rápido, ao contrário das concessões governamentais necessárias no passado.
## Demora da Mídia Tradicional
O fundador da Play9 critica a lentidão com que os veículos de mídia tradicionais – emissoras de TV, rádio, jornais e revistas – perceberam a força dos influenciadores. Segundo ele, foi somente durante a pandemia de COVID-19 que esses meios de comunicação compreenderam o valor de atuar em conjunto com as redes sociais e seus criadores. Essa colaboração, segundo Paes Leme, representou um "salto muito grande" na comunicação.
A Play9, fundada por Paes Leme após deixar a direção de esportes da TV Globo em 2016, reúne talentos nativos digitais e personalidades que migraram da mídia tradicional. A agência demonstra a comparação de audiência entre influenciadores e emissoras, que, segundo ele, são "absolutamente comparáveis".
## O Futuro da Influência
Paes Leme aposta na geração Alpha, nascida a partir de 2010, como protagonistas futuros do universo digital, por terem crescido imersos na tecnologia. Para ele, a autenticidade, relevância e propósito são a tríade fundamental para quem deseja se profissionalizar como criador de conteúdo. Ele prevê um futuro com menos megainfluenciadores generalistas e um aumento de especialistas em nichos específicos, além de micro e nanoinfluenciadores.
As formas de monetização para criadores de conteúdo incluem parcerias com marcas e pagamentos diretos, como venda de cursos e conteúdos exclusivos. A maturidade do mercado de influência, segundo ele, tende a valorizar cada vez mais a especialização e a conexão genuína com o público.