Regina Casé retorna aos palcos com peça que une ciência, poesia e vida
Regina Casé retorna ao teatro com "Viva! Vida!", peça que explora a Terra e sua carreira, misturando ciência, poesia e interação com o público. Atriz aborda dualidade entre ser atriz celebrada e apresentadora com 'haters'.

Regina Casé celebra seu retorno aos palcos após sete anos com a estreia da peça "Viva! Vida!". O monólogo, que estreou em São Paulo, propõe uma jornada que abrange desde a formação do planeta Terra até os complexos algoritmos das redes sociais, tecendo uma narrativa que reflete a própria trajetória da atriz.
Com uma performance marcada pela improvisação e pela capacidade de transitar entre o choro e o riso, Casé quebra a tradicional barreira entre palco e plateia. Ela desce do palco para interagir com o público, permitindo até o uso de celulares, o que, segundo ela, é uma forma de promover a conexão e a comunhão. "Eu sou da rua, da encruzilhada, da bagunça, da muvuca, da multidão, sabe?", declara a atriz, que se sente à vontade para essa interação espontânea.
## Uma Carreira em Palco
A peça "Viva! Vida!" não apenas aborda temas universais, mas também serve como um espelho para a carreira multifacetada de Regina Casé. A atriz relembra seus primórdios no teatro nos anos 1970, com grupos como o Asdrúbal Trouxe o Trombone, e sua incursão como apresentadora em programas como "Brasil Legal", "Muvuca", "Central da Periferia" e "Esquenta!".
Casé revela que, embora seja celebrada como atriz, sua atuação como apresentadora lhe rendeu críticas e "haters". Ela atribui isso ao protagonismo dado a artistas e manifestações culturais marginalizadas em programas como "Esquenta!". "Essas pessoas estavam fora da TV. Elas furaram a bolha da invisibilidade. É natural que tenha havido uma onda de preconceito", comenta.
## A dualidade de Regina Casé
Ao rever sua carreira, Regina Casé, hoje aos 72 anos, afirma que nunca teve a intenção de ser apresentadora, mas viu nisso uma oportunidade de dar visibilidade a temas urgentes. "Eu não ia conseguir produzir uma dramaturgia capaz de criar uma reflexão sobre isso a médio e longo prazo", explica. No entanto, ela reconhece que o reconhecimento como atriz é mais fácil e menos questionado. "Como atriz, sou celebrada; como apresentadora, tenho haters."
Em "Viva! Vida!", essas distinções se dissolvem. Regina Casé não interpreta uma única personagem, mas assume múltiplas facetas: professora, astronauta, indígena, iaô do Candomblé, cientista, e até se confunde com a plateia. "Eu sou eu mesma", define.
## Origem e Conceito
A inspiração para "Viva! Vida!" surgiu de um documentário sobre desertificação produzido por seu marido, Estevão Ciavatta. O fascínio de Casé por curiosidades sobre a Terra, como seu passado desértico e a complexidade do corpo humano, deu o tom para o espetáculo. Apesar da base científica, a peça se distancia de uma aula de biologia, mesclando informações com poesia, mitologia e cosmologias indígenas e africanas.
O roteiro, assinado por Estevão Ciavatta e com direção de Daniela Thomas, busca criar uma dramaturgia que, apesar de parecer improvisada, é cuidadosamente estruturada. "Como eu falo tudo de forma muito coloquial e também tem muita fala de improviso, parece que aquilo tudo não tem um roteiro. Mas, pelo contrário. É muito difícil criar uma dramaturgia assim", pontua Casé.
"Viva! Vida!" fica em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, até 2 de agosto, com sessões de quinta a sábado às 20h e domingos às 17h. Após a temporada paulistana, a peça seguirá em turnê por outras capitais, incluindo Brasília e Belo Horizonte.