Ópera 'Don Pasquale' Brilha em São Paulo com Elenco Vibrante
A ópera 'Don Pasquale', em montagem no Theatro São Pedro, é aclamada como um dos melhores espetáculos líricos de São Paulo em 2026, com performances vocais destacadas e direção que prioriza a comédia.

A temporada lírica paulistana de 2026 foi marcada por uma apresentação memorável da ópera "Don Pasquale", de Gaetano Donizetti, no Theatro São Pedro. Sob a regência do maestro americano Ira Levin, a orquestra residente entregou uma performance refinada e entusiasmada, elevando a experiência do público. A montagem, dirigida por Livia Sabag, focou na comédia e no entretenimento, afastando-se de morais complexas e mergulhando no enredo clássico do solteirão idoso que planeja um casamento.
## Elenco Brilhante e Atuações Marcantes
A soprano Raquel Paulin foi amplamente elogiada por sua interpretação de Norina, exibindo uma voz sanguínea e jovial, com uma execução primorosa da ária "So anch’io la virtù magica". Sua atuação, adaptada às dimensões do Theatro São Pedro, demonstrou grande atenção às exigências donizettianas e à comicidade lírica.
O barítono Santiago Villalba, como Doutor Malatesta, impressionou com sua voz generosa, formando uma dupla sofisticada e agradável com Rodrigo Esteves, que deu vida a um Pasquale irresistível e carismático. A colaboração entre os dois foi um dos pontos altos da récita, especialmente durante o quarteto "Ah, è rimasto là impietrato".
O tenor Guilherme Moreira completou o elenco principal no papel de Ernesto, o hesitante sobrinho de Pasquale. Seu belo timbre lírico foi notado na cançoneta "Com’è Gentil", ainda que tenha demonstrado um certo nervosismo em cena, comum em estreias.
## Direção e Regência em Harmonia
A direção de Livia Sabag contribuiu significativamente para o frescor da montagem, com comentários sutis que humanizaram o personagem Pasquale, evitando que fosse apenas uma vítima de bullying etarista. Essa abordagem permitiu ao público discordar de aspectos do libreto, como a piada final, considerada deslocada nos dias atuais.
O maestro Ira Levin potencializou a partitura, guiando a orquestra com andamentos que mantiveram a ação fluindo e destacando as atuações dos cantores. A harmonia entre a regência, a direção e o elenco resultou em uma noite de ópera que, segundo críticos, representou um dos ápices da cena lírica paulistana em 2026.