Nordeste lidera gastos com shows públicos no Brasil
Nordeste se torna o epicentro de shows públicos no Brasil, concentrando R$ 2,22 bilhões e a maioria das apresentações entre 2024 e março de 2026.

Um levantamento inédito do observatório "De Olho nos Ruralistas" revelou que o Nordeste se consolidou como o principal palco de shows públicos no Brasil. Entre janeiro de 2024 e março de 2026, a região concentrou 78% das 7.412 apresentações analisadas, totalizando 5.818 eventos. Para viabilizar essas contratações, foram desembolsados R$ 2,22 bilhões dos cofres públicos, superando todas as outras regiões do país combinadas.
## Fatores da Concentração Regional
Especialistas apontam uma combinação de fatores para explicar essa concentração de recursos e eventos na região nordestina. A força das produtoras locais é um elemento chave, com grandes empresas do setor atuando de forma articulada. Políticos locais também desempenham um papel importante, considerando o retorno de visibilidade que os grandes shows proporcionam para suas gestões. Além disso, a geografia nordestina é considerada favorável, pois reduz custos logísticos e facilita a criação de rotas eficientes para as turnês.
## Gastos e Artistas Destaque
Dentro do Nordeste, Bahia e Pernambuco lideram os gastos, com R$ 578,47 milhões e R$ 573,10 milhões em contratos, respectivamente. O Piauí, por outro lado, registrou o menor investimento na região, com R$ 79 milhões. No cenário musical, o piseiro se destaca, movimentando R$ 913,04 milhões em contratos públicos, sendo que 88% desses valores foram pagos por estados nordestinos. O cantor Natanzinho Lima lidera o ranking dos artistas mais bem pagos, com R$ 158,17 milhões em contratos para 336 shows no período. Em seguida, aparecem Henry Freitas, com R$ 125,9 milhões, e Wesley Safadão, com R$ 113 milhões.
## O Impacto na Cultura
O montante de R$ 3,08 bilhões acumulado pelos 40 artistas mais contratados se aproxima do valor recorde anual captado pela Lei Rouanet. No entanto, a Lei Rouanet financia uma diversidade de projetos culturais, como teatro, dança e literatura, por meio de incentivo fiscal. Os valores levantados na pesquisa referem-se a pagamentos diretos de dinheiro público para shows, evidenciando a magnitude da indústria de eventos musicais financiados pelo Estado.