Nany People usa humor para lidar com luto e finitude em nova peça

Nany People lança peça em SP que une humor e reflexão sobre perdas e finitude. Inspirada por luto pessoal, "Uma Segunda Chance" convida a valorizar o tempo.

Nany People usa humor para lidar com luto e finitude em nova peça

A atriz e humorista Nany People estreia em São Paulo o espetáculo "Uma Segunda Chance", uma obra que mergulha nas perdas da vida e na finitude, utilizando o humor como ferramenta de reflexão e superação. Em entrevista à CNN Brasil, Nany compartilhou que a inspiração para a peça surgiu após a morte de oito pessoas próximas em um intervalo de menos de quatro anos. Essa série de perdas a levou a uma profunda reavaliação da própria existência.

"Uma Segunda Chance" não é apenas um espetáculo sobre luto, mas uma comédia que convida o público a ponderar sobre o valor do tempo, a possibilidade de recomeços e a urgência de aproveitar cada momento. As sessões acontecem nos dias 10 e 11 de julho no teatro B32, na capital paulista.

## O Luto Transformado em Arte

Ao completar 60 anos, Nany People notou que a maturidade trouxe consigo questionamentos sobre a finitude. Muitas das mortes de seus entes queridos foram repentinas, o que gerou uma inquietação que ela decidiu transpor para o palco. "O tempo não nos tira só o colágeno. O tempo tira a capacidade de sonhar", refletiu a artista sobre a passagem dos anos e as oportunidades que podem se esvair.

Movida por essa reflexão, Nany procurou o dramaturgo Bruno Motta com o desejo de criar uma história que abordasse o impacto das mortes abruptas, tanto para quem parte quanto para quem fica. A peça explora a perspectiva de personagens que, assim como a protagonista Ivone, recebem a oportunidade de provar que merecem continuar vivendo, levantando a questão: "O que você anda fazendo com a coisa mais preciosa da sua vida, que é o tempo da tua existência?"

## Humor como Ferramenta de Salvação

Apesar da temática densa, Nany People enfatiza que "Uma Segunda Chance" é, acima de tudo, uma comédia. O objetivo é que a plateia ria durante a maior parte da apresentação, mas saia do teatro com uma mensagem inspiradora. "A gente usa o humor para ganhar o público. Todos os meus solos são motivacionais. O teatro tem obrigação de deixar uma mensagem. Não é só o riso pelo riso. O riso faz você relaxar. Aí a mensagem vem com mais intensidade."

Nany descreve a sensação de perder pessoas queridas como um processo de se sentir órfão, onde a própria identidade se torna incompleta com o desaparecimento de figuras importantes. Ela também utiliza o palco para questionar a autoimportância exagerada que as pessoas atribuem a si mesmas, lembrando que "essencial é o oxigênio. A luz é essencial. A gente é substituída".

Ao final, a peça transmite uma mensagem de esperança, reafirmando a crença da artista de que o humor é um poderoso instrumento para enfrentar as adversidades da vida. "Humor é salvação. Humor é remédio. Quando você aprende a rir de você mesma, tudo fica melhor", conclui Nany People.