Mulheres na Independência: Cordel Revela Heroínas Baianas
Livro em cordel "Heroínas da Independência" resgata o papel de mulheres baianas como Maria Quitéria, Maria Felipa e Joana Angélica nas lutas pela emancipação do Brasil, desafiando a historiografia tradicional.

O papel fundamental das mulheres nas batalhas pela Independência do Brasil, muitas vezes relegado a segundo plano na historiografia oficial, é resgatado no livro "Heroínas da Independência". Escrito pela escritora e roteirista Manuela Dias, a obra utiliza o formato de cordel, com sua tradicional oralidade nordestina, para dar voz e protagonismo a figuras como Maria Quitéria, Maria Felipa e Joana Angélica.
## Um Resgate Histórico
A publicação, lançada pela editora Voante, é fruto de uma pesquisa iniciada para um longa-metragem em parceria com o ator e diretor Antônio Pitanga. A obra busca reescrever a narrativa da Independência, que tradicionalmente foca no Grito do Ipiranga e na figura de Dom Pedro I, destacando a participação popular e a violência das lutas que se estenderam pela Bahia até 2 de julho de 1823. Manuela Dias argumenta que a omissão da participação de mulheres, nordestinos e negros na construção da independência resulta na perda de um "poder" histórico e identitário para o povo brasileiro.
## Trajetórias de Luta
O cordel narra as histórias de diversas mulheres que se destacaram no processo de emancipação. Joana Angélica, abadessa do Convento da Lapa em Salvador, tinha 60 anos quando enfrentou soldados portugueses que invadiram o local em 1822, sendo morta por uma baioneta. O livro a apresenta não como uma mártir involuntária, mas como uma defensora consciente de seu papel. Maria Quitéria, alferes, desafiou as convenções sociais ao fugir de casa, vestir-se de homem e alistar-se nas tropas baianas, demonstrando notável habilidade no manejo de armas e sendo condecorada posteriormente. Maria Felipa, marisqueira, representa a participação das mulheres negras, cuja história, embora com menos registros documentais, perdura na memória oral da Ilha de Itaparica há dois séculos.
O livro, com 91 páginas e preço de R$ 89,90, foi lançado em Salvador e terá sua divulgação expandida para São Paulo. A obra visa iluminar a participação feminina e popular, elementos cruciais para a compreensão completa da formação do Brasil como nação independente.