Morre Walter Carreiro, o memorialista que "colocou Diadema no mapa"
Walter Carreiro, memorialista de Diadema, faleceu aos 87 anos. Dedicou sua vida a pesquisar e divulgar a história da cidade, tornando-se autor de um livro clássico sobre suas origens e ruas.

Faleceu em Diadema, aos 87 anos, Walter Adão Carreiro, conhecido por seu incansável trabalho como memorialista e por sua dedicação em registrar a história da cidade do Grande ABC. Nascido em Areiópolis em 1939, Carreiro mudou-se para Diadema ainda criança, aos sete anos, em 1946, quando a cidade era um aglomerado de loteamentos. Sua trajetória profissional foi marcada por 34 anos de trabalho como metalúrgico, mas foi em 1987 que ele descobriu sua verdadeira vocação: a de "fazer memória".
O memorialista iniciou suas publicações na coluna "Memória" do jornal Diário, onde compartilhou suas pesquisas sobre as origens dos bairros e ruas de Diadema. Seu trabalho mais notório é um livro considerado um clássico sobre a história da cidade, que exigiu dele um profundo trabalho de campo, percorrendo as localidades a pé, de ônibus e de carona. Carreiro também foi fundamental ao descobrir, na Assembleia Legislativa de São Paulo, o processo que elevou Diadema de distrito a município, um feito destacado por outros memorialistas.
Walter Carreiro, que se autodenominava "memorialista" e não "historiador", acreditava que seu trabalho, mais ligado à pesquisa de rua e direto com a população, era uma forma mais adequada e bonita de registrar o passado. Ele demonstrava grande satisfação em compartilhar suas descobertas, muitas delas obtidas com moradores antigos e com a colaboração de amigos, como Amaury Martins de Carvalho. Cada foto encontrada era cuidadosamente identificada com informações detalhadas.
Em 2018, em entrevista ao Diário, Carreiro descreveu Diadema como uma cidade "abençoada", cercada por importantes municípios paulistas. Sua paixão pela história da cidade contribuiu significativamente para que Diadema fosse reconhecida e incluída no mapa memorialístico do Grande ABC. Ele doou todo o seu acervo ao Centro de Memória de Diadema nos últimos anos de vida.
Walter Adão Carreiro, carinhosamente chamado de "Seu Walter" e "Tico" por sua família, deixou um legado importante para Diadema. Ele era filho de Manoel Adão Carreiro e Josefa Carreiro, e deixa a esposa Maria Aparecida e quatro filhos: Walter, Ricardo, Michel e Eduardo. O sepultamento ocorreu no Cemitério Municipal de Diadema.