Maranhão celebra Mulheres Negras com marcha e debates sobre reparação
Maranhão sedia eventos do Julho das Pretas em 2026 com marcha, feira afro e debates sobre reparação histórica e bem viver, honrando a luta das mulheres negras.

O Maranhão se prepara para celebrar a força e a resistência das mulheres negras com uma série de eventos integrados à campanha nacional "Julho das Pretas". Em 2026, a iniciativa chega à sua 14ª edição sob o tema "Seguimos em Marcha por Reparação e Bem Viver", buscando ampliar o debate sobre igualdade racial, justiça social e a superação das desigualdades históricas.
As atividades em São Luís prometem reunir movimentos sociais, coletivos, instituições públicas e representantes da sociedade civil. Entre os destaques estão a Marcha das Mulheres Negras, que percorrerá as ruas do Centro Histórico, e uma feira multicultural focada no afroempreendedorismo. Rodas de conversa abordarão temas cruciais como racismo, direitos e o conceito de "bem viver", além de um chamamento para artistas interessados em participar do Festival de Artes Cênicas Preta do Maranhão.
## Legado de Teresa de Benguela inspira luta
A data de 25 de julho, que homenageia o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Teresa de Benguela e da Mulher Negra, é um marco para a organização política das mulheres negras. Teresa de Benguela, líder quilombola do século XVIII, é lembrada por sua atuação na condução do Quilombo do Quariterê, onde organizou estratégias de defesa e produção, enfrentando o sistema escravista.
Sua trajetória de protagonismo e resistência é vista como fundamental para inspirar as lutas contemporâneas. "Teresa inspira pela posição de protagonista de uma história de articulação do povo negro. Uma mulher liderando um quilombo, mobilizando e organizando o povo negro em torno da produção de alimentos e da luta política contra a escravidão", explica Silvane Magali Vale Nascimento, coordenadora adjunta do Grupo de Mulheres Negras Mãe Andresa e professora da UFMA.
## Reparação e Bem Viver como pilares
A campanha deste ano coloca em evidência a discussão sobre reparação histórica e justiça social. Para os movimentos de mulheres negras, o conceito de reparação transcende compensações materiais, visando a superação das consequências da escravidão e das desigualdades persistentes. "Nunca haverá uma reparação completa, mas é preciso garantir dignidade, emancipação humana, acesso à saúde, educação, saneamento, trabalho, território, cultura e ancestralidade. É isso que chamamos de bem viver", detalha Silvane Magali.
Lindoracy Santos, professora da Uema e pesquisadora, reforça a importância da data como um chamado ao reconhecimento das contribuições das mulheres negras e quilombolas para a sociedade. Ela enfatiza que o 25 de Julho é um posicionamento contra o preconceito e a discriminação, reafirmando a coragem e a potência dessas mulheres na busca por igualdade e equidade.