Mãos que Tecem o São João: Artesãs Criam Magia para Quadrilhas
Três costureiras dedicam meses ao São João no Parque Anauá, criando figurinos exclusivos e sob medida para quatro quadrilhas juninas. O trabalho artesanal garante a magia e o sucesso das apresentações.

Longe dos holofotes e da poeira do tablado do Parque Anauá, onde as quadrilhas juninas encantam o público com danças sincronizadas e coreografias elaboradas durante as festas de São João, um trabalho minucioso e essencial acontece nos bastidores. Este ano, a responsabilidade de vestir quatro importantes agremiações do estado – Arrasta Pé, Xamego na Roça, Furacão Caipira e Filhos de Macunaíma – recaiu sobre os ombros de um dedicado trio de costureiras.
Essas profissionais, cuja parceria profissional já soma 15 anos, encontraram no movimento junino o elo que fortaleceu sua colaboração. A amizade começou na época em que seus filhos eram dançarinos no grupo Xamego, e desde então, a relação transcendeu o ambiente de trabalho, edificando-se sobre respeito, carinho e a capacidade de ouvir e colaborar nas criações.
Para atender à alta demanda de figurinos, que incluem peças femininas e masculinas para todas as quadrilhas, a rotina das costureiras foi marcada por uma organização rigorosa. A confecção exigiu uma agenda apertada, precisão no corte de tecidos e a contratação de auxiliares para dar conta do volume de trabalho, garantindo que cada detalhe estivesse impecável.
O grande diferencial do trabalho deste trio reside no atendimento individualizado. Descartando tamanhos padronizados, cada integrante das quadrilhas é convocado para ter suas medidas exatas tiradas. Com base nesses dados, um molde exclusivo é desenhado em papel, assegurando que cada peça se ajuste perfeitamente ao corpo.
O cuidado empregado em cada traje é comparável ao de um vestido de festa de debutante. "Se você vai fazer uma coisa, faça bem feito, né? É o nosso lema", afirma uma das costureiras, ressaltando o compromisso com a qualidade. A filosofia é clara: "Aqui não tem negócio de você virar o vestido do avesso e ver aquela farofa de costura. Cada peça é única e precisa ser produzida com carinho". Esse zelo transforma tecidos em verdadeiras obras de arte, essenciais para o brilho e o sucesso das apresentações juninas.