K-Beauty: Pele de Vidro Vira Febre e Impulsiona Mercado Bilionário no Brasil
O mercado de beleza coreana (K-beauty) vive um boom no Brasil, impulsionado pela busca pela 'pele de vidro'. Vendas e importações disparam, com marcas nacionais adaptando produtos para o público local.

A busca por uma pele radiante e impecável, popularizada como 'glass skin' ou 'pele de vidro', tem impulsionado significativamente o mercado de beleza coreana, a K-beauty, no Brasil. O fenômeno, que já conquistou celebridades internacionais como Selena Gomez e Rosé, agora se consolida como um item essencial na rotina de skincare de consumidoras brasileiras.
## Crescimento Exponencial nas Buscas e Vendas
Dados do Google Trends revelam um salto impressionante: as buscas por 'glass skin' aumentaram 300% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025. Paralelamente, o termo 'K-beauty' registrou um crescimento de 350%. Esse interesse crescente se reflete diretamente no mercado global, que, segundo a Euromonitor International, alcançou US$ 15 bilhões em 2025, com uma taxa de crescimento anual de 22%. No cenário brasileiro, o avanço é igualmente notável, com um aumento de 159% nas vendas de produtos coreanos via e-commerce e uma expansão de 56% nas importações, conforme dados do Comex Stat.
## Pandemia e a Nova Rotina de Cuidados
Mikaely Correa, analista sênior de pesquisa sobre beleza e cuidados pessoais na Euromonitor, aponta a pandemia de COVID-19 como um catalisador. O período de isolamento social levou muitas pessoas a investirem mais em skincare, um hábito que se manteve mesmo após o fim das restrições. Essa mudança de comportamento impulsionou o mercado, com plataformas de varejo como a Época Cosméticos reportando um aumento expressivo na procura por marcas asiáticas.
Gabriella Trigo, diretora comercial da Época Cosméticos, confirma o 'boom' da K-beauty em 2026, com um aumento de cerca de 120% nas buscas online e um crescimento de vendas 'avassalador'. Ela destaca que a K-beauty deixou de ser um nicho para se tornar uma categoria consolidada, atraindo consumidores mesmo fora do universo de doramas e K-pop.
## Experiência e Adaptação ao Mercado Brasileiro
Jimmy Lee, diretor da KS Cosméticos, importadora especializada em produtos coreanos, explica que, embora os doramas e o K-pop tenham sido portas de entrada importantes, a sustentação da categoria se deve à experiência real de uso dos produtos. Fórmulas agradáveis, facilidade de integração na rotina diária e a proposta de cuidado contínuo são fatores-chave. Ele também observa uma mudança na estratégia de consumo, com uma leve diminuição na frequência de compra, mas um foco maior em 'comprar melhor', avaliando rendimento, formulação e experiência de uso.
As marcas brasileiras também estão atentas a essa tendência. A Quem Disse, Berenice? lançou o Mochi Blur, inspirado na J-beauty (beleza japonesa), e a Avon apresentou a linha Avon Sweets, com referências diretas à K-beauty. A adaptação das fórmulas para a pele brasileira, que tende a ser mais oleosa, com bases aquosas, é um diferencial estratégico. Gustavo Dieamant, diretor de Pesquisa & Desenvolvimento do Grupo Boticário, ressalta a importância de adaptar tendências, considerando rotinas de uso, clima e expectativas de performance.
A expansão para o mercado físico também é uma aposta, com a Sheglam, marca de maquiagem da Shein, anunciando a abertura de lojas no Brasil, com a meta de atingir 3 mil pontos de venda no primeiro ano. O cenário demonstra que a K-beauty não é apenas uma moda passageira, mas uma força transformadora na indústria de beleza, com um impacto cada vez maior no Brasil.