Jovem de MT transforma vivências em poesia e vence concursos nacionais
Jovem de 17 anos de Cuiabá (MT) conquista prêmios literários nacionais com poemas que retratam a vida na periferia. Flavia Eduarda usa a escrita como refúgio e ferramenta de representatividade.

Flavia Eduarda Guimarães Pinheiro, uma estudante de 17 anos moradora do bairro Pedra 90, em Cuiabá (MT), tem se destacado no cenário literário nacional ao transformar suas vivências em poesia premiada. O que começou como um refúgio para expressar sentimentos que não conseguia verbalizar, evoluiu para uma trajetória de reconhecimento, consolidando-a como uma promissora jovem autora brasileira.
As inspirações para seus versos frequentemente surgiam durante o trajeto de ônibus entre o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) e sua casa. Nesses momentos, Flavia anotava ideias em seu celular ou caderno, organizando pensamentos e emoções. A surpresa veio com a classificação no 3º Concurso Portinho Livre de Literatura Infantojuvenil, promovido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e a conquista do 7º lugar na categoria juvenil do XXIV Concurso "Fritz Teixeira de Salles" de Poesia. Ela foi a única representante de Mato Grosso entre os dez primeiros colocados nesta última premiação, com o poema "Entre a Dor e a Própria Vida".
"No começo, escrever era apenas um refúgio. Era o lugar onde eu conseguia colocar em palavras tudo aquilo que não conseguia dizer em voz alta", relatou a estudante, que confessou nunca ter imaginado que seus textos de adolescência alcançariam tal projeção nacional. A notícia das premiações impactou positivamente sua família, impulsionando-a a participar de novos concursos e a solidificar sua carreira literária.
A obra de Flavia é profundamente enraizada em sua comunidade. O bairro Pedra 90 é a fonte de seus personagens, lembranças e inspirações. Em contraponto a estereótipos negativos frequentemente associados à periferia, ela faz questão de exaltar as histórias de afeto, resistência e pertencimento que testemunha diariamente. "Quero mostrar que a nossa comunidade também produz arte, conhecimento, sensibilidade e talento", afirmou.
Como jovem negra e moradora da periferia, Flavia vê na escrita uma poderosa ferramenta para ocupar espaços e ampliar a representatividade de autores de origens semelhantes. Sua trajetória demonstra o potencial criativo e a riqueza cultural que emana de diferentes realidades sociais, desafiando percepções e abrindo caminhos para novas vozes na literatura brasileira.