Instituto Ludovicus celebra 40 anos da 'encantamento' de Câmara Cascudo
Instituto Ludovicus celebra 40 anos da morte de Câmara Cascudo com programação especial em Natal. A casa-memória preserva o legado do folclorista, atraindo estudantes e pesquisadores.

O Instituto Ludovicus, dedicado à preservação da memória do renomado folclorista potiguar Luís da Câmara Cascudo, celebra nesta quinta-feira (30) os 40 anos de seu "encantamento", termo utilizado para se referir à sua morte, ocorrida em 30 de julho de 1986, aos 87 anos. A data marca um momento para refletir sobre a importância contínua de Cascudo para os estudos da cultura e do folclore brasileiro.
## Um Legado Vivo na Cidade Alta
Localizada na Cidade Alta, em Natal, a casa que serviu de residência a Câmara Cascudo por 40 anos funciona hoje como um centro biográfico, abrigando sua biblioteca particular e coleções museológicas. Daliana Cascudo, neta do folclorista e diretora do instituto, expressa que seu avô, um apaixonado pela docência, certamente apreciaria a vitalidade do espaço. "Como ele foi professor a vida toda, e era a profissão de que mais se orgulhava, acredito que ia adorar ver a casa repleta de estudantes, professores e pesquisadores, que revisitam sua obra e aumentam a sua fortuna crítica", afirma Daliana. A preservação da memória é vista como a antítese da "verdadeira morte", que seria o esquecimento.
O Instituto Ludovicus está aberto à visitação pública de segunda a sexta-feira. Segundo Daliana, o público predominante é composto por estudantes e professores, com um foco especial no acesso gratuito para escolas públicas e projetos sociais. Pesquisadores também são frequentadores assíduos, utilizando o vasto acervo bibliográfico como material de pesquisa. Um dos pontos mais notáveis do instituto é a biblioteca, cujas paredes, portas e janelas ostentam assinaturas de personalidades ilustres que já passaram pelo local. Entre os visitantes registrados estão Villa-Lobos, Juscelino Kubitschek, Ary Barroso, Gilberto Freyre e Malba Tahan, configurando um "grande retrato da intelectualidade brasileira do século XX".
## Desafios da Preservação e Inovação Cultural
A manutenção de um patrimônio tão rico, que abrange tanto o imaterial quanto o físico, apresenta desafios constantes. A edificação do instituto, com 126 anos, exige cuidados especiais para equilibrar seu uso com a preservação. "Precisamos sempre ter em mente o equilíbrio entre o uso e a manutenção adequada desta edificação, que demanda sempre cuidados muito especiais", ressalta Daliana. A biblioteca particular e as coleções museológicas requerem manutenção contínua e restaurações pontuais para garantir sua integridade. O acervo digitalizado de 15 mil cartas trocadas por Cascudo com outros intelectuais é um exemplo do trabalho de digitalização e preservação em andamento.
A relevância de Câmara Cascudo transcende seu tempo, segundo Daliana, devido ao seu pioneirismo na abordagem de estudos sobre o Brasil. Ele valorizava a tradição oral com a mesma importância da erudita, demonstrando a sabedoria popular e a autenticidade da cultura brasileira. "Temos hoje um outro olhar sobre os ‘fazeres’ por causa da visão inovadora dele", conclui, referindo-se à forma como Cascudo registrou a cultura oral por meio de mitos e lendas.