Grande Sertão: Veredas, 70 anos: Expedições confirmam fidelidade do sertão

Expedições de bicicleta celebram os 70 anos de 'Grande Sertão: Veredas', percorrendo 1.453 km em MG e GO e confirmando a fidelidade das paisagens naturais e humanas descritas por Guimarães Rosa.

Grande Sertão: Veredas, 70 anos: Expedições confirmam fidelidade do sertão

Setenta anos após a publicação de "Grande Sertão: Veredas", uma das obras-primas da literatura brasileira, o sertão descrito por João Guimarães Rosa continua a pulsar. Expedições recentes, realizadas entre 16 de maio e 18 de junho, percorreram 1.453 quilômetros em 21 cidades de Minas Gerais e Goiás, confirmando a perenidade das paisagens humanas e naturais retratadas pelo escritor.

Ao contrário das montarias de antigamente, os exploradores modernos optaram por bicicletas, um meio que permite manter o contato íntimo com a terra e as pessoas, sem perder a dimensão das distâncias. Essa escolha metodológica reforça a ideia de um sertão que resiste às transformações impostas pelo avanço tecnológico, pelas mudanças climáticas, pela polarização política e pela disseminação das redes sociais. A expedição "Caminhos de Rosa" buscou revisitar os cenários que inspiraram o romance, evidenciando sua surpreendente fidelidade.

Theo Kieckbusch, sociólogo de 38 anos que participou de uma das jornadas, descreveu o sertão como "um antídoto para a urbanidade tóxica". Essa percepção ressalta o valor atemporal da obra de Guimarães Rosa, que transcende a mera descrição geográfica para adentrar a essência humana, como o próprio autor afirmou: "O sertão é dentro da gente". A expedição demonstrou que essa máxima se aplica tanto ao interior do indivíduo quanto ao território físico.

A publicação original de "Grande Sertão: Veredas" ocorreu em julho de 1956, e desde então, a obra se consolidou como um marco na literatura nacional. Sua linguagem inovadora e a profundidade temática continuam a fascinar leitores e estudiosos. A expedição serviu como uma reafirmação da relevância contínua do livro, conectando o passado literário com o presente vivo do Brasil.

Os viajantes encontraram um sertão que, apesar dos desafios modernos como o desmatamento do Cerrado e a influência da Starlink, mantém suas características essenciais. A resistência cultural e a resiliência da natureza se manifestam nas comunidades visitadas e nos cenários percorridos, ecoando as descrições vívidas de Guimarães Rosa.

A iniciativa "Caminhos de Rosa" não apenas celebrou os 70 anos da obra, mas também ofereceu uma nova perspectiva sobre a relação entre literatura e realidade. Ao percorrer fisicamente os caminhos de Riobaldo e Diadorim, os participantes puderam sentir a força e a atualidade do universo rosiano, provando que o sertão, em sua essência, permanece um território vital e inspirador.