Glamour Brasileiro: Entre a Falsidade e a Riqueza Real
Análise crítica sobre o glamour brasileiro, contrastando riqueza autêntica com ostentação vazia e a falsidade presente em eventos sociais.

A sociedade brasileira é palco de uma reflexão profunda sobre o conceito de 'glamour', dissecado pela coluna 'Cena Urbana' de Vicente Serejo, publicada na Tribuna do Norte. A análise questiona a verdadeira natureza do brilho social, dividindo-o entre o autêntico, que encanta pela leveza, e o falso, que se revela inefável e risível. Os espaços preferidos para essa exibição são os salões de lançamento de livros e exposições de arte, onde circulam figuras proeminentes do 'laissez-faire'.
## As Três Faces da Riqueza
Serejo propõe uma categorização da riqueza em três tipos. O primeiro é o 'rico de verdade', cuja fortuna provém de herança e gestão familiar ao longo de gerações. O segundo é o 'novo rico', que nem sempre construiu seu patrimônio com base em princípios sólidos de comércio. Por fim, surge o 'ricaço', um tipo distintamente brasileiro, associado a uma forma de ostentação questionável.
O texto argumenta que o Brasil possui uma vocação histórica para a 'burla', comparável à astúcia de personagens como Chicó e João Grilo, de Ariano Suassuna. Essa esperteza, inicialmente vista como ferramenta de sobrevivência, é contrastada com o 'roubo do glamour', que é imaterial e assalta a verdade ao vender o falso. Os 'glamourosos' são descritos como atores que interpretam papéis sociais, utilizando maquiagem e um charme de tédio para mascarar a superficialidade.
## A Superficialidade do Brilho Social
O colunista critica o 'glamour social' como algo infértil, incapaz de gerar fruição estética genuína, excetuando-se talvez o apelo das grifes. Ele aponta que muitos envolvidos nessa esfera são excelentes atores, cultivando um silêncio enigmático que esconde a falta de conhecimento ou interesse genuíno. Essas figuras, que buscam a consagração pessoal, sentem-se incomodadas pela humildade daqueles que não possuem a 'inveja tatuada na pele' nem exalam o 'vinho azedo do desprezo'.
A matéria evoca a sabedoria de Miguel de Unamuno, que em seu 'Diário Íntimo' prega a felicidade dos ricos que agem como se não o fossem. Diante desse cenário, a reflexão final convida à ponderação: resta a resignação ou a resistência diante da superficialidade?