Flip 2024: Orides Fontela é homenageada e obra ganha novo fôlego

A Festa Literária de Paraty (Flip) 2024 homenageia a poeta Orides Fontela, focando na força de sua obra e buscando superar o estigma de "poeta maldita" e "pobreza".

Flip 2024: Orides Fontela é homenageada e obra ganha novo fôlego

A 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) terá como grande homenageada a poeta Orides Fontela, uma figura cuja obra busca ser resgatada do esquecimento e dos estigmas que a cercaram em vida. O evento, que ocorrerá de 3 a 7 de julho, promete direcionar o foco para a profundidade e a força de seus versos, distanciando-se das dificuldades financeiras e pessoais que marcaram seus últimos anos.

## A Poeta Além da Pobreza

Orides Fontela, muitas vezes lembrada como a "poeta mais pobre do Brasil", teve sua precariedade financeira exposta em rede nacional no início de 1996, mesmo já possuindo um Prêmio Jabuti. Sua situação de vulnerabilidade, com ameaças de despejo e saúde debilitada após atropelamentos, contrastava com a admiração crítica que sua obra já despertava. Na época, seu livro mais recente, "Teia", enfrentava dificuldades para ser publicado. A poeta, em entrevista, ressaltou que seus livros a impediam de se sentir completamente perdida, evidenciando a importância da literatura em sua vida.

## Legado Literário e Novas Edições

Trinta anos após sua morte, em 1998, a obra de Orides Fontela ganha um impulso significativo com o relançamento de seus cinco livros de poesia pela editora Hedra, em edições revisadas e organizadas por Ieda Lebensztayn. Paralelamente, a editora reedita "O enigma Orides", única biografia da autora, escrita pelo pesquisador Gustavo de Castro. A iniciativa se estende a um público mais jovem com "Pelos olhos de Orides", uma seleção de poemas com ilustrações de Cynthia Cruttenden, e "Conversas: escritos e entrevistas de Orides Fontela", que reúne depoimentos e ensaios inéditos.

## Redefinindo a Percepção da Obra

Poetas e críticos como Paulo Henriques Britto e Marília Garcia destacam a necessidade de Orides ser mais conhecida, mesmo entre leitores de poesia, comparando-a a nomes como Ana Cristina Cesar e Paulo Leminski. Sua poesia, com precisão e teor filosófico, distanciou-se do confessionalismo e do coloquialismo da época, focando em imagens recorrentes como espelhos e pássaros, e utilizando recursos formais sofisticados. A organização dos manuscritos e textos datilografados, supervisionada pelo jornalista Augusto Massi, buscou um novo estabelecimento do texto, reconhecendo Orides como uma poeta moderna e contemporânea, apesar da notável ausência de elementos urbanos em sua obra.