Exposição "Terror Celestial" une arte LGBT+ e medo em Fortaleza

Exposição "Terror Celestial" em Fortaleza une arte LGBT+ e o conceito de medo como força criativa, reunindo 24 artistas e explorando a diversidade da comunidade.

Exposição "Terror Celestial" une arte LGBT+ e medo em Fortaleza

Fortaleza, CE – O Museu de Arte Contemporânea (MAC Dragão), em Fortaleza, abre as portas para a exposição “Terror Celestial”, uma iniciativa que propõe uma profunda reflexão sobre como a comunidade LGBT+ ressignifica o medo e o terror, transformando-os em potentes ferramentas de criação artística. A mostra, em cartaz até 4 de outubro, reúne trabalhos de 24 artistas de diversas linguagens, explorando a interseccionalidade de raça, território e geração.

## O Medo como Força Criativa

O curador da exposição, Lucas Dilacerda, explica que a proposta central é investigar a relação histórica entre a sociedade e a população LGBT+. Frequentemente marginalizada e rotulada com termos pejorativos que remetem ao estranhamento e ao medo, a comunidade LGBT+ carrega consigo traumas e estruturas psíquicas que se manifestam na vida adulta. “Terror Celestial” mergulha nesse universo, buscando compreender como artistas LGBT+ reelaboram esse imaginário do terror, transmutando a violência em produção artística.

Dilacerda aponta que o ser humano tende a projetar seus medos inconscientes no "outro", usando a população LGBT+ como um espelho para afirmar sua própria "normalidade". A arte apresentada na exposição quebra essa dinâmica, exibindo figuras híbridas, quimerísticas e monstruosas que desafiam as fronteiras do ser humano. As obras transitam entre paisagens surrealistas e representações que dialogam com o imaginário do terror, mas agora desvinculado da violência e impulsionado como uma força criativa.

## Diversidade e Acessibilidade na Arte

A concepção da mostra envolveu um extenso mapeamento de quase 300 portfólios de artistas LGBT+, com o objetivo de garantir a representatividade da diversidade dentro da própria comunidade. A seleção final priorizou artistas que exibem interseccionalidades de raça, território e geração, além de uma ampla gama de linguagens artísticas, desde pintura e escultura até vídeo e performance.

“É importante que [a exposição] mostre que não existe uma única cara de pessoas LGBT, que elas são diversas na sua multiplicidade”, ressalta Dilacerda. Para ampliar o acesso e a fruição das obras, a exposição conta com recursos de acessibilidade, como textos em Libras, audiodescrição e pranchas de comunicação alternativa, disponíveis via QR Code ou com o apoio da equipe educativa.

A exposição está dividida em três eixos temáticos:

* **Monstros e quimeras**: Explora a monstruosidade como transcensão da humanidade, apresentando seres híbridos e místicos.

* **Espiritualidade terrena**: Aborda a busca por espiritualidade em meio a violências religiosas, incluindo saberes de matriz africana, tradições populares e cosmovisões indígenas.

* **Terror das formas**: Conceitua "terrorismo de gênero" como desobediência e criação de novas formas de existir, desafiando a gramática normativa das artes.

A mostra é uma oportunidade única para o público cearense e visitantes vivenciarem uma perspectiva artística inovadora sobre o medo e a identidade, celebrando a resiliência e a criatividade da comunidade LGBT+.