Ex-jogador norueguês transforma vidas com futebol e educação no RJ
Instituto Karanba, fundado pelo ex-jogador norueguês Tommy Nielsen, completa 20 anos no RJ. Projeto usa futebol e educação para transformar a vida de jovens, com foco em apoio escolar e universitário.

O Instituto Karanba, fundado pelo ex-jogador norueguês Tommy Nielsen, celebra duas décadas de atuação no Rio de Janeiro, impactando positivamente a vida de milhares de crianças e adolescentes. A iniciativa, que nasceu de um sentimento de espanto com as desigualdades sociais do Brasil, evoluiu para um projeto robusto que utiliza o futebol e a educação como ferramentas de transformação social.
Tommy Nielsen, hoje com 50 anos, chegou ao Brasil em 2004 após encerrar precocemente sua carreira profissional no futebol devido a uma lesão no joelho. Inicialmente em férias, ele foi cativado pela paixão e pela cultura brasileiras, decidindo se mudar permanentemente. Ao se deparar com a realidade de comunidades como a Cruzada São Sebastião, Cidade de Deus, Rocinha e Cantagalo, Nielsen sentiu o desejo de intervir.
"Caramba! Quantas pessoas incríveis inseridas dentro de uma realidade sem oportunidade. Caramba! Que contraste da minha vida segura na Noruega pra essa realidade", expressou Nielsen em entrevista, descrevendo o choque inicial. Essa inquietação o motivou a criar o Instituto Karanba em 2006, começando de forma modesta em seu condomínio.
Com o apoio do boca-a-boca, o projeto rapidamente expandiu, passando de um pequeno grupo para mais de duzentas crianças em apenas um ano. Sem estrutura inicial, o sonho de Nielsen era usar o esporte e a educação para promover um futuro melhor. Atualmente, o instituto atende cerca de 750 jovens, de 6 a 20 anos, em São Gonçalo, com um espaço próprio que inclui campos de futebol e salas de aula.
## Educação como pilar principal
Mais do que apenas um centro esportivo, o Karanba dedica uma parcela significativa de suas atividades à educação. São 78 horas semanais de apoio escolar, com aulas no contraturno, e 74 horas dedicadas à prática esportiva. O projeto "Gols de Caneta" se destaca por bancar matrículas universitárias para 11 jovens, além de oferecer uma bolsa mensal para auxiliar nas despesas.
Alessa da Silva Oliveira, 18 anos, é uma das beneficiadas pelo "Gols de Caneta". Ela cursa administração em uma universidade privada, com os custos cobertos pelo Karanba. "É uma loucura que eu gosto, uma loucura que eu tô acostumada", disse Alessa, que concilia os estudos com treinos e trabalho, tudo influenciado pelo instituto.
O pré-requisito para participação, além da frequência escolar comprovada três vezes ao ano, é o compromisso com os estudos. Verônica Lima, coordenadora esportiva e funcionária há 14 anos, ressalta o baixo índice de evasão escolar entre os alunos do Karanba, que tem sido inferior a 1% em alguns anos, um feito que orgulha a equipe.
## Um legado em construção
Tommy Nielsen cunhou o verbo "Karanbar" para descrever o trabalho e a influência positiva do instituto na vida dos jovens. Exemplos como Lidiane da Silva Antunes, que se tornou jogadora profissional em Portugal, e Jenderson Alves, da primeira turma do Karanba, demonstram o alcance da transformação promovida pela iniciativa, que conta com apoio de empresas norueguesas como a Equinor, leis de incentivo e doações de pessoas físicas.