Ex-alunos revivem memórias de Boa Vista dos anos 70

Ex-alunos do antigo Ginásio Euclides da Cunha em Boa Vista se reencontram após 50 anos para reviver memórias da cidade dos anos 70 e fortalecer laços de amizade.

Ex-alunos revivem memórias de Boa Vista dos anos 70

Um grupo de ex-alunos do antigo Ginásio Euclides da Cunha (GEC), atual Escola Estadual Euclides da Cunha, em Boa Vista, tem mantido viva a memória de uma cidade e de uma época que parecem distantes. Os reencontros, que se tornaram uma tradição após mais de cinco décadas, reúnem pessoas que estudaram juntas na década de 1970, celebrando amizades que resistiram ao tempo e à distância.

O que começou com a iniciativa de Lílian Barreto, que sentiu falta de reencontrar os amigos de infância ao retornar a Boa Vista, evoluiu para um grupo unido. A ideia de formar um grupo para reunir a turma do GEC ganhou força com a ajuda de Chico Roberto e outros colegas, que foram adicionando pessoas e resgatando laços perdidos. Inicialmente planejada para 2020, uma grande festa com tema "Anos 60" foi adiada pela pandemia e realizada em junho de 2022, reunindo pessoas que não se viam há 43 anos.

Para muitos, o reencontro foi uma experiência profundamente emocionante, marcada por conversas que transportaram todos de volta a uma Boa Vista completamente diferente. Quem mora na capital de Roraima mantém encontros mensais, enquanto aqueles que vivem em outros estados participam sempre que possível. "Nossa cidade era pequena, todo mundo conhecia todo mundo. O tempo foi passando, uns foram embora daqui e a gente sentiu essa necessidade de rever essas pessoas", relata Chico Roberto, destacando a saudade do calor humano e da convivência de outrora.

Aquele período, a década de 1970, era marcado por uma capital em formação, ainda Território Federal de Roraima. Boa Vista possuía poucos bairros, e a vida era mais simples: as crianças iam a pé para a escola, a energia elétrica era desligada por volta das 22h, e as ruas eram palco de brincadeiras infantis como barra-bandeira e esconde-esconde. A cidade, que terminava onde hoje fica a avenida Glaycon de Paiva, era pacata e permitia que as pessoas se deslocassem a pé para eventos e visitas.

As lembranças compartilhadas pelos ex-alunos evocam uma Boa Vista onde a escola, a igreja e as casas dos amigos faziam parte do cotidiano. Festas juninas, Jogos Estudantis, arraiais na escola e excursões a locais como o lago Caracaranã e o rio Água Boa também compõem o mosaico de memórias. Para Severino Duarte da Silva, o GEC foi um marco tão significativo que "nos trouxe até aqui, de 1970 a 2026, com eternas e saudosas boas lembranças".

Esses reencontros não apenas celebram o passado, mas também fortalecem a identidade de uma geração que viu Boa Vista crescer e se transformar, mantendo viva a essência de uma cidade que marcou suas vidas.