Copa de 1970: México e Brasil mantêm laços históricos

A Copa de 1970 fortaleceu laços entre Brasil e México. O legado de Pelé é celebrado em murais no Estádio Azteca e até em um 'Maracanã' comunitário em Tepito, na Cidade do México.

Copa de 1970: México e Brasil mantêm laços históricos

A Copa do Mundo de 1970 não foi apenas um marco para o futebol brasileiro, consolidando o tricampeonato com Pelé em campo. No México, país sede daquele mundial, o evento cimentou uma relação de admiração que perdura até hoje, especialmente na Cidade do México. A relação especial entre os dois países é visível em diversos pontos da capital mexicana, que reverenciam ícones brasileiros.

## O Legado no Estádio Azteca

O icônico Estádio Azteca, palco da memorável goleada do Brasil sobre a Itália na final de 1970, passou por uma modernização que preservou sua rica decoração externa. Murais com representações de diversos craques do futebol brasileiro adornam as redondezas do estádio. A brasileira Nathalia Carvalho, residente no México, relata sua surpresa ao visitar o local: "Tem muita coisa referente ao Brasil. Muita coisa do Pelé, da Copa de 1970, do Ronaldinho (Gaúcho). E com a camisa da seleção, não do Barcelona. Também do Ronaldo, agora estão pintando o Neymar. Ícones na parede, louvados mesmo, mais até do que referências de jogadores do próprio México."

A imagem de Pelé com um sombreiro, celebrando o título de 1970, é particularmente emblemática e aparece em diversas propagandas e locais. "Os mexicanos falam muito dele quando se fala do Brasil, e eles têm um orgulho muito imenso de ele ter jogado aqui", comenta Carvalho. Grande parte dessas pinturas são antigas, demonstrando a constância dessa admiração.

## O 'Maracanã' de Tepito

A lenda urbana na Cidade do México conta que o legado de Pelé se estendeu para além dos grandes estádios. Relatos não confirmados por registros fotográficos indicam que o Rei do Futebol teria visitado uma quadra comunitária no bairro de Tepito. Essa área, conhecida por sua forte identidade cultural e histórica resistência, abriga um local com um nome sugestivo: Maracanã.

Originalmente um campo de terra batida, o Centro Social y Deportivo Tepito, posteriormente simplificado para Deportivo Tepito, tornou-se o palco de partidas entre equipes locais. A crença popular é que jogadores da seleção brasileira teriam visitado o bairro após a conquista de 1970, com Pelé incluso, chegando a disputar uma partida informal. Em homenagem a essa suposta visita, a quadra ganhou o nome do famoso estádio brasileiro.

## Renovação e Energia Comunitária

O Maracanã mexicano, contudo, enfrentou períodos de abandono e se tornou uma zona de risco entre 2012 e 2018. A revitalização ocorreu através de um grupo de moradores que reassumiu a gestão e passou a organizar competições de equipes amadoras. Atualmente, o campo renovado, com pintura característica, atrai diversos públicos para suas arquibancadas.

Mais do que um espaço esportivo, o local se transformou em um ponto de encontro familiar, oferecendo um refúgio da realidade local. Nathalia Carvalho descreve a atmosfera: "Eu senti uma energia bem carioca estando lá. Tem muitas comidas, bebidas e coisas falsificadas, mas nada se compara a qualquer coisa que já tinha visto no Brasil". O espaço também ganhou um caráter político e social, com eventos especiais e a preservação da quadra para uso da comunidade, como o tradicional jogo de "Las Gardenias", uma equipe de mulheres trans que celebra o padroeiro local.