Cinema Brasileiro se Despede de Luiz Carlos Barreto aos 98 Anos
Morre Luiz Carlos Barreto, ícone do cinema brasileiro aos 98 anos. Cineasta, produtor e fotógrafo, foi velado no Rio de Janeiro com homenagens e memórias de sua vasta contribuição.

O cinema brasileiro lamenta a perda de Luiz Carlos Barreto, conhecido como Barretão, que faleceu aos 98 anos na quarta-feira, 22 de julho de 2026, no Rio de Janeiro, onde estava internado tratando uma infecção pulmonar. A despedida do renomado produtor, fotógrafo e cineasta ocorreu nesta quinta-feira (23) no Palácio da Cidade, em Botafogo, reunindo familiares, amigos e figuras importantes da cultura nacional.
Nascido em Sobral, Ceará, e radicado no Rio de Janeiro, Barreto construiu uma carreira de grande relevância para o audiovisual brasileiro. Seu olhar apurado como fotógrafo permitiu retratar o Brasil, suas contradições e sua cultura, com filmes que alcançaram festivais internacionais e indicações ao Oscar. Amigos e parceiros o descreveram como um dos responsáveis pela consolidação da indústria cinematográfica no país e por usar o cinema como ferramenta de reflexão.
## Legado Familiar e Profissional
A trajetória de Luiz Carlos Barreto esteve intrinsecamente ligada à sua família. Ao lado da esposa, a produtora Lucy Barreto, formou uma parceria que marcou o audiovisual brasileiro, com os três filhos também seguindo carreiras na sétima arte. No entanto, Barretão estendia o conceito de família aos colegas de profissão, criando um ambiente de convivência nos sets de filmagem, pautado pelo debate sobre o país e pela paixão compartilhada pelo cinema. Sua obra é considerada um pilar para a identidade do cinema nacional e para a projeção do Brasil no exterior.
## Memórias e Contribuições
Durante o velório, foram compartilhadas diversas memórias e homenagens. O filho Bruno Barreto relembrou histórias marcantes, como a origem do hábito de capitães levantarem a taça da Copa do Mundo, que teria começado com uma sugestão de seu pai, então fotógrafo da revista O Cruzeiro, ao capitão Bellini em 1958. Bruno também compartilhou lembranças da infância cercada pelo cinema em casa, com a presença de equipamentos e a convivência com cineastas renomados.
Fernanda Torres destacou a importância de Barretão para a visão que o Brasil tem de si mesmo, citando filmes como ‘Dona Flor’, ‘Bye Bye Brasil’ e ‘Inocência’, e ressaltou que não há reposição para uma figura de seu tamanho. O ator Antônio Pitanga comentou sobre a transição de Barreto da fotografia para o cinema e sua liderança no Cinema Novo. A presidente da EBC, Antonia Pellegrino, descreveu Barreto como um grande pensador e articulador de um projeto de Brasil atravessado pela cultura, comprometido com a construção de uma sociedade melhor. Ao final da cerimônia, o corpo de Luiz Carlos Barreto foi levado para ser cremado em uma cerimônia reservada à família.