Carnaval desafia legado colonial, afirma historiador
Historiador Luiz Simas explica que o Carnaval incomoda o Brasil "da casa-grande" por desafiar o legado colonial e racista, fortalecendo identidades ancestrais.

O historiador e pesquisador de cultura popular Luiz Antônio Simas argumenta que o Carnaval transcende a folia, incomodando aqueles que se apegam a um Brasil marcado pela escravidão e pelo racismo. Segundo Simas, a festa representa um espaço vital de reconstrução coletiva em contraponto à domesticação dos corpos e à valorização excessiva do trabalho.
Simas destaca a influência africana na redefinição do Carnaval brasileiro, que se tornou um meio para populações negras reconectarem laços comunitários fragilizados pela escravidão. Ele ressalta que o preconceito contra religiões de matriz africana é, na verdade, racismo religioso, que desqualifica saberes e manifestações culturais não brancas.
O escritor alerta ainda para o risco de a cultura popular ser reduzida a mera mercadoria. Apesar das críticas, Simas mantém o otimismo na ação, acreditando que a diversidade brasileira, impulsionada por negros e mulheres, conquistará cada vez mais protagonismo.