Budismo 'Pop': Coreia do Sul Revitaliza Fé com Cultura Jovem
Budismo na Coreia do Sul ganha nova vida com a Geração Z através da cultura pop, festivais e moda. Estratégia visa acessibilidade, mas gera debates sobre comercialização e preservação dos ensinamentos.

Na Coreia do Sul, onde a prática religiosa vinha em declínio, o budismo encontra uma nova onda de popularidade ao abraçar a cultura pop. A Geração Z sul-coreana está sendo atraída para a fé por meio de festivais vibrantes, moda moderna, DJs e até robôs, numa estratégia que visa tornar a religião mais acessível e relevante.
Templos históricos em Seul convivem agora com lojas que vendem estatuetas, pulseiras e camisetas estampadas com imagens de Buda em poses contemporâneas, como um Buda navegando em um smartphone. Cartões-postais com slogans como "Sopre. Estoure. Esqueça." refletem uma abordagem leve e comercializada, que surpreende visitantes estrangeiros, mas desperta curiosidade entre os jovens.
A estratégia parece estar surtindo efeito. A Exposição Internacional Budista de Seul atraiu um número recorde de 250 mil pessoas, sendo dois terços pertencentes à Geração Z e metade deles sem afiliação religiosa prévia. Embora o número de autodeclarados budistas tenha se mantido estável, a percepção da religião melhorou significativamente em pesquisas recentes.
## Expansão do Turismo Religioso
O turismo com foco no budismo está em alta, com milhares de pessoas participando anualmente de retiros em templos. Essas experiências incluem meditação, culinária monástica e tarefas domésticas, muitas vezes combinadas com concertos de música eletrônica e hip-hop, ou eventos como a Exposição Internacional, que oferece sessões de oração e interação com monges.
Estudantes universitárias budistas apontam que essa imagem moderna e "descolada" do budismo reduz as barreiras de entrada e atrai um público jovem que, de outra forma, não se conectaria com a religião. Para muitos, não há problema em adaptar a apresentação da fé para torná-la mais palatável às novas gerações.
## Críticas e Desafios
No entanto, a abordagem não é isenta de críticas. Especialistas e veículos de comunicação budistas alertam para o risco de o budismo, uma religião que prega o desapego material, ser consumido apenas como uma "boa imagem" ou uma tendência passageira, perdendo seus fundamentos essenciais. A comercialização excessiva levanta preocupações sobre a banalização dos ensinamentos.
A Ordem Jogye, uma das principais vertentes do budismo sul-coreano, defende a iniciativa como uma forma de tornar a religião mais "acessível". O porta-voz da ordem, monge Myojang, afirma que a instituição busca "encontrá-las onde elas estão" e se comunicar de maneira que faça sentido para os jovens. A introdução de um robô "monge" em cerimônias, por exemplo, gerou controvérsia, com críticos vendo como uma banalização da vida monástica, enquanto defensores o consideram uma ferramenta para disseminar ensinamentos.
## Equilíbrio Delicado
Músicos e comediantes que integram elementos budistas em suas performances, como o DJ NewJeansNim, buscam comunicar os valores da fé de forma inovadora. Ele reconhece o delicado equilíbrio entre atrair o público jovem e manter a integridade dos ensinamentos budistas. Apesar do impulso cultural, a afiliação religiosa formal entre os sul-coreanos não apresentou mudanças significativas, com a maioria da população ainda se declarando sem religião, especialmente entre os mais jovens.