Benedito Ruy Barbosa: Legado de Criatividade e Generosidade é Celebrado

Dramaturgo Benedito Ruy Barbosa faleceu em SP após complicações renais. Colegas e familiares celebram sua criatividade, generosidade e legado em novelas que retrataram o Brasil.

Benedito Ruy Barbosa: Legado de Criatividade e Generosidade é Celebrado

O corpo do renomado dramaturgo Benedito Ruy Barbosa está sendo velado nesta terça-feira (7) no Funeral Home, em São Paulo, após seu falecimento em decorrência de complicações de uma insuficiência renal crônica. A partida do escritor, conhecido por colocar as diversas facetas do Brasil na tela da televisão, gerou uma onda de homenagens e lembranças de colegas de trabalho e familiares, que destacam sua criatividade ímpar e sua generosidade.

Amauri Soares, diretor-executivo dos Estúdios Globo, ressaltou a magia e atemporalidade das novelas de Benedito Ruy Barbosa, afirmando que suas histórias abordam a formação do povo brasileiro. Ele citou o sucesso dos remakes de "Pantanal" e "Renascer", que conectaram novas gerações com as tramas, exibidas junto a pais e avós que já haviam se emocionado anteriormente. Essa capacidade de atravessar o tempo, segundo Soares, confere um caráter mágico à obra do autor.

Bruno Luperi, neto de Benedito e também roteirista, considera o avô um percursor de um gênero televisivo, que "inventou uma maneira de contar histórias". Luperi destacou a luta de Benedito para "colocar o Brasil na frente da tela", com o objetivo de "pontuar a dignidade do brasileiro" e "enaltecer a nossa luta". Ele acredita que o maior legado autoral de Benedito foi "trazer dignidade para o povo brasileiro" e "sempre estar do lado certo da história".

Os filhos de Benedito, Edilene e Ruy Maurício Barbosa, compartilharam lembranças pessoais. Edilene contou sobre o método de escrita do pai, que "precisava escrever como se fala", adaptando a linguagem aos personagens e regiões retratadas, como o "uai" para mineiros. Ruy Maurício relembrou a paixão do pai pelo futebol, descrevendo-o como "São-paulino roxo" e "conselheiro vitalício do São Paulo", mais dedicado ao clube do que à Seleção Brasileira.

A influência de Benedito Ruy Barbosa se estende a atores que deram vida a personagens icônicos de suas obras. O ator Osmar Prado, que interpretou Tião Galinha em "Renascer", mencionou a emoção compartilhada com o autor durante a criação do personagem, descrevendo Benedito como um "artista criador" e não um "pragmático". Cristiana Oliveira, que viveu Juma Marruá na primeira versão de "Pantanal", declarou que Benedito a apresentou não só à personagem, mas também ao bioma Pantanal, do qual hoje é ativista e defensora.

Marcos Palmeira, que atuou em ambas as versões de "Pantanal", exaltou a habilidade de Benedito em "levar esse Brasil profundo para as telas", abordando "problemas sociais, políticos de uma forma brilhante, sem ser panfletário". Almir Sater, que interpretou Trindade em "Pantanal", agradeceu a oportunidade que o autor lhe deu, que "iluminou" sua vida e permitiu que ele se destacasse como violeiro. Caco Ciocler, que interpretou o jovem Berdinazzi em "O Rei do Gado", destacou a aposta de Benedito "no amor" e no "trabalho que dá amar alguém". A obra de Benedito Ruy Barbosa, marcada pela representação da identidade brasileira e por personagens inesquecíveis, deixa um legado duradouro para a teledramaturgia nacional.