Artista de SP Representará o Brasil em Festival Mundial de Artes Cênicas

Artista circense Guilherme Torres, de SP, representará o Brasil no maior festival de artes cênicas do mundo, o Fringe, em Edimburgo. Sua trajetória inclui apresentações em semáforos e metrô.

Artista de SP Representará o Brasil em Festival Mundial de Artes Cênicas

Do cenário urbano de Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, para os palcos da Escócia. Guilherme Torres, artista circense de 28 anos, se prepara para embarcar rumo a Edimburgo em agosto, onde representará o Brasil no Fringe, o maior festival de artes cênicas do planeta. O evento, que atrai milhares de apresentações em diversos formatos e locais, será o palco da temporada de 11 apresentações do espetáculo "Vidrado", de Torres, no teatro Assembly Roxy.

## Trajetória de Resiliência e Arte

A participação no festival internacional é um marco na carreira solo de Guilherme, que teve o convite para o Fringe poucos dias após a estreia de seu primeiro trabalho autoral, exibido no Sesc Bom Retiro. A iniciativa "São Paulo Showcase", da Secretaria de Cultura do Estado, é responsável por levar produções paulistanas ao evento e viabilizou a participação de Torres, contemplada pelo edital PNAB nº 34. "Acabei de estrear o espetáculo, então vai ser bem massa poder abrir essa porta lá fora, mostrar o meu trabalho e chegar com força. É um festival enorme, tem gente do mundo inteiro", declarou Torres.

Sua jornada artística começou em 2008, aos 10 anos, com aulas de circo no Centro Cultural Arte em Construção, em Cidade Tiradentes. Ali, ele não só se formou como artista, mas também ajudou a fundar o Circo Teatro Palombar, grupo do qual ainda faz parte. "Para mim, é um orgulho vir desse bairro e chegar onde eu estou chegando, porque foi bem difícil. Transporte, saúde, trabalho. Mas, ao mesmo tempo, é um bairro muito potente, tem muitos artistas aqui", ressaltou, enfatizando a importância de retribuir o conhecimento adquirido ao atuar como arte-educador no mesmo local.

## Arte nas Ruas e a Superação de Desafios

Antes de se dedicar exclusivamente à arte, Guilherme Torres buscou formas alternativas de sustento e divulgação de seu trabalho. Apresentou-se em semáforos, no metrô e na Avenida Paulista para adquirir equipamentos e divulgar sua arte. "No palco, você está com um público que foi ali para te ver. No metrô e no farol, você atinge um público que não está ali por você. A galera está indo para o trabalho ou voltando cansada para casa. Às vezes é um sorriso ou uma troca de olhar que desmonta aquela pessoa", analisou.

Apesar de reconhecer a importância dessas experiências para a formação artística e para atingir um público diversificado, Torres também aponta os perigos e a falta de reconhecimento associados às apresentações em cruzamentos. "No farol você fica muito exposto, é perigoso. Você lida com pessoas de todo tipo. Às vezes, os próprios ambulantes olham com cara feia para você, ou você pega pessoas de mau humor no trânsito. Mas é isso, você está mostrando o seu trabalho. Ninguém é obrigado a gostar ou querer ver, mas é um trabalho e temos que seguir de cabeça erguida."

## Otimismo e a Força da Produção Brasileira

Enfrentando os questionamentos familiares sobre a viabilidade de viver da arte, Guilherme Torres manteve a convicção em seu projeto. "Teve uma época que pensei em ter um plano B. Mas quando comecei esse solo eu falei: esse é o plano A e o plano B. Eu vou com tudo." Ele acredita que sua participação no Fringe servirá para demonstrar a potência da produção artística brasileira no cenário mundial. "Às vezes vão desacreditar, vão desmerecer, mas eu acho que o brasileiro é muito potente. A gente é acostumado a sofrir, mas tem uma alegria que só a gente tem." Para o artista, apresentar o espetáculo em sua comunidade de origem tem a mesma relevância que se apresentar em qualquer outro lugar do mundo. "Eu posso estar do outro lado do mundo ou aqui em Cidade Tiradentes. Para mim, os dois têm a mesma importância."

O espetáculo "Vidrado" inclui uma sequência de acrobacias com bicicleta, que demandará intenso esforço físico do artista durante as 11 apresentações. A dinâmica do Fringe, com espetáculos ocorrendo das 9h da manhã à meia-noite, promete ser uma experiência desafiadora e intensa. A viagem, hospedagem e alimentação de Torres para Edimburgo serão custeadas pelo São Paulo Showcase, enquanto a renda das apresentações dependerá da bilheteria do festival.