Arte no Metrô SP: Obra de 30 anos ainda emociona e gera conexões
Obra de arte na Estação Sumaré, SP, criada há quase 30 anos por Alex Flemming, continua a gerar mensagens e conexões afetivas com o público, retratando diversidade e poesia.

A obra de arte "Estação Sumaré", do artista Alex Flemming, inaugurada em 1998 na Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo, completa quase três décadas de existência e continua a gerar um forte vínculo afetivo com o público. O artista relata que até hoje recebe mensagens de pessoas que se conectam com o projeto, que retrata a população anônima da cidade e a miscigenação brasileira.
## Um Legado de Diversidade e Poesia
A concepção da obra remonta ao final dos anos 1980, quando Flemming participou de um concurso público para a criação de arte em novas estações do metrô. Ele visualizou nos vidros e na iluminação da Estação Sumaré o suporte ideal para expressar sua visão sobre a diversidade paulistana. Para isso, montou um estúdio fotográfico no Masp e convidou diversas pessoas, de diferentes etnias, para serem retratadas. A seleção dos modelos buscou representar a rica miscigenação do Brasil.
Complementando os retratos, o artista integrou poesias de renomados autores brasileiros, abrangendo um período de cinco séculos, desde José de Anchieta (século XVI) até Haroldo de Campos (século XX). As poesias foram dispostas de forma livre e não convencional, com letras dispostas horizontalmente e separadas, com o objetivo de incentivar a reflexão e a decifração pelos passageiros, promovendo uma conexão mais profunda com a arte e com o outro.
## Conexão Afetiva e Reconhecimento
A obra se estabeleceu como um ponto de referência visual e afetivo na rotina de milhares de paulistanos que transitam diariamente pela estação. O curador de arte Baixo Ribeiro, que estudou com Flemming na USP, destaca que, mesmo sendo uma obra pública, ela conquistou popularidade e criou um laço emocional com a população. "As pessoas esperam chegar na estação para ter aquele alumbramento, para ter aquele momento de reflexão visual", afirmou Ribeiro, ressaltando o papel da obra na percepção da própria cidade.
O impacto da arte transcende a experiência individual. Famílias e amigos que passam pela estação frequentemente compartilham momentos ao lado da obra. A curadoria de arte, que também se viu retratada no painel, compartilha a alegria de ver sua imagem reconhecida e de seus netos se divertindo ao tirar fotos em frente ao painel, evidenciando o caráter lúdico e familiar que a obra adquiriu ao longo dos anos. A estação Sumaré, inaugurada em 1998, está localizada na zona oeste de São Paulo e abriga duas séries de 22 fotografias, cada uma com 2,18 m², integradas às poesias.