A Pincelada do Acaso na Criação dos EUA
Descubra como Benjamin Franklin recusou a missão de escrever a Declaração de Independência dos EUA, abrindo caminho para Thomas Jefferson e moldando o futuro do país.

Há exatos 250 anos, um marco transformador para o Ocidente se concretizava na Filadélfia. Representantes das treze colônias inglesas na América do Norte selavam a Declaração de Independência, ato fundador dos futuros Estados Unidos da América. Naquele período, a autossuficiência e a extensão do novo país eram incertas, mas seus habitantes já se destacavam por serem mais altos e férteis que os europeus. Curiosamente, a celebração do documento só ganhou força após 1812.
## O Protagonismo Inesperado de Jefferson
O texto, hoje considerado sagrado, teve sua autoria moldada pelo acaso. Benjamin Franklin, figura proeminente da época, declinou do convite para redigir a declaração, citando sua política de não escrever textos sujeitos a alterações por plenários e alegando sofrer de crises de gota. Outro importante líder, John Adams, reconheceu a magnitude do documento, mas se limitou a redigir o preâmbulo de uma resolução paralela.
Assim, a responsabilidade recaiu sobre Thomas Jefferson, o mais jovem entre os reunidos. Em junho de 1776, ele trabalhou no rascunho em uma pensão, auxiliado por Robert Hemings, um jovem escravizado. Em 21 de junho, Jefferson enviou seu rascunho inicial a Franklin para revisão. Uma das mudanças mais significativas foi a alteração da frase "nós consideramos verdades sagradas e inalienáveis que todos os homens são criados iguais e independentes". Franklin, buscando evitar conotações religiosas excessivas, sugeriu a substituição de "sagradas" por "evidentes por si mesmas", dando origem à célebre formulação "we hold these truths to be self-evidents".
## Revisões e o Destino de um Texto
O primeiro projeto de Jefferson, entregue em 28 de junho, passou por 85 revisões. Uma das emendas notórias foi a remoção da condenação explícita ao tráfico de negros. A Declaração, assinada em 4 de julho, foi lida publicamente na cidade apenas em 8 de julho. As visões de Jefferson, que sonhava com uma utopia rural, e Adams, que almejava uma nação mais industrial e comercial, já prenunciavam futuras divergências.
## Um Legado de Coincidências Históricas
A história reservou uma peculiar coincidência para Adams e Jefferson: ambos faleceram no mesmo dia, 4 de julho de 1826, data que marcou o 50º aniversário da independência. Jefferson se tornou presidente em 1797, enquanto Adams foi vice em 1789 e assumiu a presidência posteriormente. A relação entre eles, marcada por rivalidades, culminou com Adams se recusando a comparecer à posse de Jefferson em 1801.
## Reflexos no Cenário Político Atual
O texto original também aborda a política eleitoral contemporânea, mencionando as projeções para a eleição de Donald Trump e a estratégia de usar as celebrações dos 250 anos da independência como plataforma política, algo similar ao que ocorreu com Gerald Ford em 1976. A matéria ainda toca em projeções para uma reforma do Judiciário em 2029 e cita o sucesso na emissão de carteiras de identidade em Minas Gerais como um exemplo de iniciativa positiva.
Apesar de Franklin ter recusado a tarefa inicial, sua influência e a de Adams foram cruciais para moldar o documento que definiu o nascimento de uma nação. A história da Declaração de Independência dos EUA é, portanto, uma complexa tapeçaria de decisões, revisões e, inegavelmente, de um toque de acaso.