Uso excessivo de celular: brasileiros buscam frear hábito digital

Brasileiros lutam contra o uso excessivo de telas. Pesquisas mostram dificuldade em controlar tempo de celular, superando alimentação e sedentarismo, com foco em queda e busca por bloqueadores.

Uso excessivo de celular: brasileiros buscam frear hábito digital

A relação dos brasileiros com seus smartphones tem se tornado um ponto de atenção crescente. Um relato pessoal durante uma peça de teatro, onde a vontade de checar o celular surgiu mesmo sem uma notificação importante, ilustra um fenômeno mais amplo: a dificuldade em controlar o tempo de tela. Esse impulso, descrito como um misto de curiosidade, urgência e receio de perder algo, tem se manifestado em diversos momentos, até mesmo durante outras atividades como assistir a um filme ou conversar.

O chamado "second screening", o uso de um segundo dispositivo enquanto se consome outro conteúdo, evidencia essa necessidade de estar constantemente conectado. Os números reforçam a dimensão do problema: o brasileiro passa, em média, nove horas e 13 minutos por dia diante de telas, um dos maiores índices globais, superando até o tempo de sono.

Especialistas apontam que, embora o celular e o computador sejam ferramentas essenciais de trabalho e comunicação, uma parcela significativa desse tempo é dedicada a um uso excessivo e, muitas vezes, inconsciente. A busca por novos estímulos e a dificuldade em manter o foco são consequências diretas dessa imersão digital.

Estudos recentes revelam uma diminuição drástica na capacidade de concentração. Uma pesquisa da Universidade da Califórnia mostrou que o tempo médio de foco em uma única tela caiu de dois minutos e meio em 2004 para apenas 47 segundos em 2021. Curiosamente, a pesquisa também indicou que as interrupções são mais autoinfligidas do que externas, sugerindo um padrão de comportamento automático.

A busca por soluções já leva muitos a utilizarem aplicativos que bloqueiam redes sociais, alguns até com multas financeiras para quem desrespeita o bloqueio. Essa situação levanta um questionamento sobre a própria indústria digital, que cria a demanda e, em seguida, oferece soluções pagas para mitigar seus efeitos.

Uma pesquisa da Bain & Company com dois mil brasileiros confirmou a relevância do tema: o desejo de mudar o hábito do tempo de tela foi o principal apontado, superando preocupações com alimentação e sedentarismo. O relato pessoal, que resistiu à tentação durante a peça, mas sucumbiu no dia seguinte, demonstra a persistência desse desafio.

A questão central que emerge é a dificuldade em estabelecer limites para o uso da tecnologia. A sensação de estar perdido, sem compreender o que constitui um uso adequado versus desperdício, é compartilhada por muitos. A pergunta que fica é: como controlar o celular se o próprio usuário é quem detém o controle?