Doomscrolling: Vicio em Notícias Negativas Afeta Saúde Mental
Doomscrolling: o vício em consumir notícias negativas online. Entenda como o hábito, intensificado pela pandemia, afeta a saúde mental, gerando ansiedade e insônia, com jovens sendo o grupo mais vulnerável.

O hábito de deslizar incessantemente por notícias negativas nas redes sociais, conhecido como "doomscrolling", tornou-se uma preocupação crescente para a saúde mental. O termo, que combina "doom" (catástrofe) e "scrolling" (rolagem), descreve o consumo repetitivo e muitas vezes involuntário de informações que causam desconforto, medo ou angústia, mesmo quando não agregam valor.
Embora o termo tenha ganhado força durante a pandemia de Covid-19, impulsionado pelo acompanhamento em tempo real de dados sobre contágios e mortes, o comportamento persiste. Conflitos internacionais, crises econômicas e desastres climáticos continuam alimentando esse ciclo de consumo compulsivo de más notícias, mesmo com a superação da fase mais crítica da pandemia.
## Por Que é Difícil Parar?
O cérebro humano possui um mecanismo evolutivo de alerta a ameaças. Essa capacidade, que historicamente ajudava na sobrevivência, não foi adaptada para lidar com o fluxo incessante e global de informações negativas disponível 24 horas por dia. Isso gera uma sensação constante de vigilância, mesmo diante de situações sem risco imediato.
As próprias plataformas de redes sociais contribuem para a perpetuação do hábito. Seus algoritmos tendem a priorizar conteúdos com alto engajamento, e as notícias negativas frequentemente provocam reações mais rápidas e intensas, como cliques e compartilhamentos, aumentando sua circulação.
## Impactos na Saúde Mental e Jovens
A exposição contínua a notícias negativas está associada ao aumento da ansiedade e de sintomas depressivos, especialmente em indivíduos com predisposição. O acúmulo de informações sobre crises e catástrofes pode levar a uma visão de mundo mais pessimista, criando um ciclo vicioso onde a ansiedade impulsiona a busca por mais informações, que por sua vez aumenta a ansiedade.
Esse desgaste emocional também afeta as interações sociais, com o tempo dedicado à rolagem de tela substituindo momentos de convivência e suporte emocional. Fisicamente, o doomscrolling, especialmente praticado à noite, compromete a qualidade do sono, agravando o cansaço e a irritabilidade.
Estudos recentes indicam que os jovens são particularmente vulneráveis a esses efeitos. Pesquisas associam o comportamento a maior sofrimento psicológico, menor satisfação com a vida e maior dependência das redes sociais entre este grupo etário. A dificuldade em interromper esse ciclo destaca a necessidade de maior atenção à saúde mental na era digital.