Avós se adaptam: novas regras na criação de netos mudam rotina

Avós de hoje enfrentam novas regras na criação dos netos, com mudanças em rotina e uso de telas, adaptando-se às decisões dos pais sem perder o afeto.

Avós se adaptam: novas regras na criação de netos mudam rotina

A dinâmica familiar e as abordagens sobre educação infantil passaram por transformações significativas ao longo das gerações. Muitos avós que criaram seus filhos com maior liberdade para decidir sobre horários, brincadeiras e até mesmo sobre a permissão para comer doces, agora se deparam com um cenário diferente ao interagir com seus netos. A realidade contemporânea impõe novas regras, muitas vezes ditadas pelos próprios pais das crianças, levando os avós a assumirem um papel de participação e apoio, mas sempre respeitando os limites estabelecidos.

## Adaptação às Novas Regras

A percepção sobre a liberdade dos avós na criação dos netos mudou. Uma enquete revelou que uma maioria expressiva acredita que os avós atuais detêm menos autonomia em comparação com a época em que criaram seus próprios filhos. Se antigamente a expressão "na casa da avó pode tudo" era um lema comum, hoje essa ideia coexiste com uma nova realidade marcada pela organização da rotina, controle alimentar, restrição no uso de telas, adoção de práticas de educação positiva e uma atenção redobrada à segurança. Essa adaptação exige que os avós reavaliem suas interações, passando a aconselhar e auxiliar, mas reconhecendo a palavra final dos pais.

## Experiências Diversas na Criação

As experiências entre avós e netos variam. Em alguns casos, como o de Solidea Leide, de 63 anos, a proximidade com a filha permitiu que ela mantivesse um ambiente onde "na minha casa pode tudo". Sua residência se tornou um ponto de encontro familiar, com piscina, videogames e um quintal movimentado por crianças. Solidea e a filha compartilham a mesma visão sobre educação, incentivando brincadeiras dentro de casa para garantir a supervisão e a criação de memórias afetivas. Por outro lado, o professor João Bosco, de 69 anos, participa ativamente da rotina de seus netos de 10 e 12 anos, auxiliando na escola, em passeios e viagens. Ele ressalta, contudo, a importância de respeitar as decisões da filha, como a restrição de doces a apenas nos fins de semana. Para ele, essa colaboração na educação é um sinal de parceria e evolução, embora reconheça que a infância atual demanda mais atenção.

## Reflexões sobre a Mudança

Inah Yule, de 59 anos, assistente social, aponta as telas como um dos principais vetores da mudança na infância. Ela contrasta a época em que as crianças passavam mais tempo ao ar livre e interagiam com vizinhos, com o presente, onde os celulares dominam grande parte do tempo livre das crianças. Essa alteração no comportamento infantil também impacta o papel dos avós, que buscam orientar, mas cedem às decisões dos pais. Inah expressa uma certa nostalgia por hábitos da infância que, em sua visão, promoviam maior autonomia e responsabilidade, como horários estruturados para estudo e brincadeiras.