Rio: Calor extremo em bairros contrasta com brisa da Zona Sul

Estudo revela que bairros do Rio de Janeiro podem ter até 25°C de diferença de temperatura, com áreas urbanas superando 50°C.

Rio: Calor extremo em bairros contrasta com brisa da Zona Sul

Um estudo recente revelou disparidades térmicas significativas nos bairros do Rio de Janeiro durante o verão, com algumas áreas registrando temperaturas de superfície que ultrapassam os 50°C, enquanto outras permanecem consideravelmente mais amenas. A pesquisa, intitulada “Os espaços de calor na cidade do Rio no século XXI (2001-2025)”, foi conduzida pela Universidade Federal Rural do Rio (UFRRJ) sob a liderança do professor Andrews Lucena e encomendada pelo Ministério Público fluminense.

Os dados indicam que bairros como Vila da Penha, Higienópolis, Jacaré e Del Castilho, localizados em áreas mais densamente urbanizadas e com menor cobertura vegetal, experimentaram temperaturas próximas a 47°C. Em algumas comunidades, esse índice chegou a atingir a marca de 50°C, caracterizando o fenômeno conhecido como "ilha de calor urbana".

Em contrapartida, a Zona Sul da cidade apresentou temperaturas mais confortáveis, girando em torno de 25°C. Essa diferença é atribuída, segundo o estudo, à maior presença de vegetação, à influência do Maciço da Tijuca e à proximidade com o litoral, fatores que ajudam a mitigar o calor excessivo.

O mapeamento realizado pelo estudo é fundamental para a compreensão dos efeitos das mudanças climáticas e do planejamento urbano em metrópoles como o Rio de Janeiro. As "ilhas de calor" não apenas causam desconforto térmico, mas também podem agravar problemas de saúde pública, como doenças respiratórias e cardiovasculares, além de aumentar o consumo de energia com o uso de ar-condicionado.

A pesquisa da UFRRJ utiliza dados coletados entre 2001 e 2025, projetando um cenário futuro para a cidade. A iniciativa do Ministério Público fluminense visa subsidiar políticas públicas voltadas para a adaptação climática e a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, especialmente em áreas mais vulneráveis ao calor extremo.

As descobertas reforçam a necessidade de estratégias de arborização urbana, criação de áreas verdes e planejamento que considere a ventilação natural e a redução de superfícies impermeáveis, como asfalto e concreto, que absorvem e retêm mais calor.