El Niño Acelera Contratos de Startups Climáticas no Brasil

Startups climáticas registram aceleração em contratos impulsionada pelo El Niño, que intensifica busca por soluções de gestão de riscos e mitigação de eventos extremos no Brasil.

El Niño Acelera Contratos de Startups Climáticas no Brasil

A iminência de um novo ciclo do El Niño no Brasil está impulsionando negócios no setor de tecnologia climática. Startups especializadas em inteligência e gestão de riscos ambientais relatam uma aceleração significativa na negociação e fechamento de contratos, impulsionadas pelas recentes e severas consequências do fenômeno, como as enchentes no Rio Grande do Sul e secas extremas em outras regiões.

## Crescimento da Demanda por Soluções Climáticas

Empresas e órgãos governamentais buscam ativamente soluções para mitigar os impactos de eventos climáticos extremos. Mateus de Oliveira Lima, co-fundador da i4sea, plataforma de gestão de risco climático, aponta para uma chance de 63% de um El Niño forte até dezembro. Ele explica que o processo envolve a compreensão situacional dos riscos, a análise desses fenômenos e a incorporação dessas informações em protocolos de decisão corporativa. Clientes têm solicitado relatórios detalhados sobre os possíveis impactos do El Niño na cadeia logística e operações.

## Aceleração Pós-Tragédias Climáticas

Henrique Lucini Rocha, fundador da Fractal, climate tech focada em inteligência hidroclimática, observa uma drástica redução no tempo de negociação de contratos, que caiu de uma média de 540 dias para cerca de 90 dias, especialmente após a tragédia no Rio Grande do Sul. A percepção de vulnerabilidade dos ativos empresariais a eventos climáticos tem levado a uma maior busca por informações e soluções preventivas. Apesar do crescimento, o interesse corporativo ainda é considerado aquém do ideal, com 2023 sendo um ano de virada, marcado por graves problemas logísticos devido à seca e paralisações em portos e hidrovias.

## Desafios e Perspectivas Futuras

O El Niño de 2023 causou interrupções na cadeia de suprimentos da Zona Franca de Manaus e o fechamento do Porto de Itajaí. Em 2024, a paralisação do Rio Grande do Sul, afetando rodovias, ferrovias e aeroportos, evidenciou a necessidade de preparação. Há um desafio cultural em relação à percepção de risco individual e uma carência regulatória em responsabilizar empresas por falhas na gestão climática. No entanto, a crescente demanda por soluções de inteligência climática sinaliza um futuro promissor para as startups do setor, que se tornam cada vez mais essenciais para a resiliência de negócios e governos frente às mudanças climáticas.